Os ativistas estudantis Nozawa e Reiko se conheceram na época de faculdade e se casaram 10 anos depois. Na festa de casamento, vários colegas e professores estão presentes, e logo a cerimônia fica em segundo plano quando começam a discutir sérias questões pendentes da época de ativismo.
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Pesa sem dúvida o meu desprezo atual por ativistas políticos, de todos os lados e gêneros, logo pessoalmente foi um exercício de paciência altamente desgastante e desinteressante acompanhar a saga dos ativistas (neste caso da esquerda) discutindo o tempo todo quem é mais ativista que o outro. Mesmo que não fique clara quais as batalhas daquele grupo, nada muda muito desde 1917 pra ser sincero. 100 anos se passaram e a humanidade insiste na mesma ladainha.
Ôshima lançou nada mais que 3 filmes no ano de 1960, na minha opinião este é o melhor de todos. Algumas pessoas acreditam em uma visão um pouco niilista deste filme, dizem que o diretor ataca a direita e a esquerda sem dar nenhuma solução possível para o futuro político do Japão. Eu discordo completamente desta visão. Ao meu ver, o filme é uma critica ferrenha a desorganização da esquerda do Japão (e porque não do mundo? É só olhar o sistema capitalista de hoje para perceber que o problema político mundial é exatamente o fato de que a direita está organizada enquanto a esquerda ainda engatinha). Líderes autoritários, discordância entre atos violentos e pacifistas, visões extremistas, valores e discussões que deixam o filme muito atual para os dias de hoje. A direção de Ôshima está ótima e a narração fora de cronologia pode deixar a experiência um pouco difícil em alguns momentos, mas nada que tire a grandiosidade deste filme. Excelente! Indico só pra quem gosta de estudar política e tenha alguma posição partidária.
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Noite e Neblina no Japão é um dos melhores filmes do Oshima. Sétimo filme do diretor que eu assisto, diretor esse que durante tanto tempo relutei em conhecer, mas aos poucos vou descobrindo e admirando.
Oshima era, à sua maneira, um potencial suicida. Pois esse filme nada mais é do que uma tentativa de suicídio profissional das mais inconsequentes possíveis. A Shochiku, maior produtora japonesa, resolveu investir nele para dirigir filmes voltados ao novo público jovem que queria algo diferente do que Ozu e Kurosawa ofereciam. Pois Oshima, que não batia bem da cabeça, resolveu fazer um filme com viés crítico e político que atirava para todas as direções, atacando tanto a direita quanto a esquerda em um filme que ideologicamente faz algo incomum em filmes do gênero: não aponta solução nenhuma.
Alguns filmes políticos apelam ao velho clichê de apontar soluções prontas com discursos escapistas e ideologias baratas. Prepotência de alguns diretores que usam suas câmeras para dizer "essa é a solução mágica para a nossa sociedade", pois não optar por uma posição unilateral soa como se omitir. Pelo contrário! Nagisa Oshima foi franco, não há esperança de lado algum. Pessimista, caótico, no limite do niilismo, talvez. Um filme franco, corajoso, e, apesar do tom quase surreal dessa abordagem teatral a que se fez direito, uma visão extremamente realista da situação ali retratada.
O filme foi mais do que controverso. Como ataca tudo e a todos, os alienados reacionários e os alienados pseudo-revolucionários conseguiram concordar juntos com alguma coisa, em rejeitar o filme e suas reflexões céticas quanto às posições políticas de sua época. O filme ficou três dias em cartaz, inclusive por conta de um assassinato de um líder socialista que ocorreu pouco antes. O filme fez do Oshima um pária. Deus sabe como esse cara sobreviveu a esse genial e corajoso tiro na cabeça e continuou trabalhando, e causando bastante. Concluo com uma última palavra: Genial.