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Data de lançamento
19 Out. 2014Duração
Um homem passa um ano sabático numa cidade portuária, onde todas as noites sai para uma caminhada ao longo do cais. Lá ele encontra uma moça que espera o homem da sua vida. Durante quatro noites eles discutem sobre a vida, e ele vai aos poucos se apaixonando por ela. Mas eis que surge o homem que ela ansiosamente esperava.
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Um quarto do dialogo se salva. O diretor foi extremamente infeliz direção dos atores, nessa linguagem teatral (que mais parece um primeiro ensaio) e na decupagem que deixa o filme frívolo e desinteressante....
o que foi a porra da cena que a Natasha dança? Que coisa mais sem cabimento...
O sentimento do início, meio, fim e da inexistência de um romance contado por meio das luzes e da performance. Da pra dizer até que é um filme que renega muito seu texto, mesmo sendo tão verborrágico: poderia se substituir as diálogos e as histórias que são contadas por qualquer outra coisa e ainda sim atingir o mesmo impacto. Frases soltas e ideias abstratas são apenas outro veículo que o filme usa pra atingir aquilo que a imagem propõe: a melancolia e a solidão, a dor e a felicidade e o inevitável fim.
"Trata-se, assim, de um filme assumidamente teatral, no qual os atores se movimentam de forma pré-planejada, os planos são compostos com rigor cirúrgico e a montagem é precisa, ou seja, toda a enxuta estrutura da obra está organizada para transformar o texto como um elemento essencialmente cinematográfico. Nesse sentido, os atores exercem papel fundamental na captação da força da palavra do autor russo e Pascal Cervo e Astrid Adverbe são brilhantes na composição de duas almas profundamente fragilizadas pela retração, no caso de Fiódor, e pela desilusão, no caso de Natascha, e que partilham suas instabilidades até encontrarem, entre si, um alicerce emocional".
Texto completo: http://www.discursocinematografico.com.br/2015/05/noites-brancas-no-pier-2014.html
Insuportável.
Discordo completamente do comentário abaixo do sr. Cinema com Crítica, de este filme do Vecchiali ser uma "tentativa de filme". O que eu vi foi uma adaptação particular e própria. Uma adaptação belíssima do conto de Dostoievski. O problema é que muitas pessoas esperam uma adaptação aprisionada e "fiel", e eu , particularmente, já estou farto de discutir isso no Filmow. Se é para montar um tribunal contra uma adaptação livre e própria, esteticamente falando, vamos julgar Sokurov, Shinoda e tantos outros grandes. Por favor, e com todo respeito à divergência, mas dizer que este filme não confere volume ao texto de Dostoievski é um comentário raso em todas as esferas, na da tradução, da estética..
Quanto ao filme, saí arrasado da sala de cinema, como me senti arrasado diante do texto. Um filme que mergulha na ausência, na solidão, no sonho. Um filme que estreita os laços com aquilo que os poetas românticos no séc. XIX tanto perseguiam, o sonho: a vida como um sonho, ou o sonho como única possibilidade, já que a vida é insuficiente. Um sonho que flerta o delírio. Sonho - para lembrar o ontológico personagem sonolento e delirante de Georges Perec - que só "é" na noite, na solidão essencial da noite..Aquilo que o ensaísta francês Maurice Blanchot fala sobre o sonho, como a "intimidade essencial com o centro", parece servir para este filme: quase-teatral, os dois personagens (o sonhador e Nastenka) dialogam dentro da mesma intimidade nocturnal do Igitur de Mallarmé. E o que é mais precioso para o sonhante? O que é mais precioso para os poetas do romantismo? A fagulha da felicidade. A inalcansável felicidade. Relembro dos momentos finais do romance de Dostoievski: "Um minuto inteiro de felicidade! Afinal, não basta isso para encher a vida inteira de um homem?". Relembro também uma frase dita pelo sonhante no filme: "A esperança só ajuda a destruir a nós mesmos".
Para concluir essa prosa - muitas coisas a dizer, mas ando absolutamente sem saco para estender minhas notas: um dos melhores textos (de Dostoievski) para se compreender a poesia do séc. XIX, a solidão existencial e o lugar destes poetas no mundo. E um filme bastante particular em seu modo de tradução. Ainda não vi a tradução que o Visconti fez deste texto, espero ver. E se possível, re-ver este filme, tamanha a simpatia que tive. Recomendo muito.