Sandra, uma mulher ferozmente independente, compartilha repentinamente e sem querer, a intimidade de seu vizinho de andar e de seus dois filhos. Contra todas as expectativas, ela aos poucos se apega a essa família adotiva.
O trailer me transmitiu uma ideia errada sobre o filme, sugerindo que a premissa teórica seria explorada de outra maneira. Alguns comentários aqui estão elogiando a sensibilidade e a beleza da produção sob uma ótica positiva, mas não sei se estão percebendo também o seu impacto avassalador. Existe uma crueza, inclusive, que esvazia a espontaneidade da narrativa; e tudo soa fragmentado e carente da conexão humana que o roteiro insiste em demarcar. Como consequência, com exceção de Valeria Bruni Tedeschi, cuja atuação sóbria e convincente equilibra com precisão a carga dramática da personagem, o resto do elenco assume um papel meramente utilitário como a história os obriga. Há também o uso de uma intelectualidade ligeira e didática, quase infantilizada, como se faz demonstrado na alusão ao julgamento salomônico: que seria uma escolha ingênua, mas paralelamente eficaz. E é assim que o longa prospera ao debater convivência, acolhimento e o apego instintivo, contrastando as bases sólidas do afeto saudável com a toxicidade da dependência emocional. A engenhosidade com que essa tese foi forjada é, sem dúvidas, o ponto alto da obra. Continua bem com o desdizer das emoções imediatos, tendo a auto proteção como ponto de partida de um vínculo gradual. Já a questão da desconstrução do arquétipo de uma família tradicional, como foi exemplificado, me causam dúvidas quando seus personagens, mesmo cheio de falhas, acabam excessivamente decorosos e compreessivos, ganhando um sentido levemente tendencioso. De todo jeito, o finalzinho ao som de Você Abusou (escolha interessante) é um soco muito bem dado, e cheio da ambiguidade prática que clarifica o apego como um sentimento derivado do mecanismo de sobrevivência, distinguindo pureza instintiva da pureza do amor.
Fazia tempo que eu não via um desses filmes franceses que narram tão bem a arte da vida dos encontros e desencontros, desses com personagens cheios de defeitos e por isso tão humanos, sabe? vale o suspiro.
Um dos filmes mais tocantes em cartaz.
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2026:
O trailer me transmitiu uma ideia errada sobre o filme, sugerindo que a premissa teórica seria explorada de outra maneira. Alguns comentários aqui estão elogiando a sensibilidade e a beleza da produção sob uma ótica positiva, mas não sei se estão percebendo também o seu impacto avassalador. Existe uma crueza, inclusive, que esvazia a espontaneidade da narrativa; e tudo soa fragmentado e carente da conexão humana que o roteiro insiste em demarcar. Como consequência, com exceção de Valeria Bruni Tedeschi, cuja atuação sóbria e convincente equilibra com precisão a carga dramática da personagem, o resto do elenco assume um papel meramente utilitário como a história os obriga. Há também o uso de uma intelectualidade ligeira e didática, quase infantilizada, como se faz demonstrado na alusão ao julgamento salomônico: que seria uma escolha ingênua, mas paralelamente eficaz. E é assim que o longa prospera ao debater convivência, acolhimento e o apego instintivo, contrastando as bases sólidas do afeto saudável com a toxicidade da dependência emocional. A engenhosidade com que essa tese foi forjada é, sem dúvidas, o ponto alto da obra. Continua bem com o desdizer das emoções imediatos, tendo a auto proteção como ponto de partida de um vínculo gradual. Já a questão da desconstrução do arquétipo de uma família tradicional, como foi exemplificado, me causam dúvidas quando seus personagens, mesmo cheio de falhas, acabam excessivamente decorosos e compreessivos, ganhando um sentido levemente tendencioso. De todo jeito, o finalzinho ao som de Você Abusou (escolha interessante) é um soco muito bem dado, e cheio da ambiguidade prática que clarifica o apego como um sentimento derivado do mecanismo de sobrevivência, distinguindo pureza instintiva da pureza do amor.
Avaliação em nota: 7.2
Essa história é o exemplo de que laços de amor significam muito mais do que laços de sangue. Lindo filme!
Às vezes as famílias nascem assim, do repente, da tragédia, da dor.
Fazia tempo que eu não via um desses filmes franceses que narram tão bem a arte da vida dos encontros e desencontros, desses com personagens cheios de defeitos e por isso tão humanos, sabe? vale o suspiro.