Se por um lado é fácil ser seduzido pela liberdade descomplicada com que Mouramateus explora referências, aplicando-as com algum sentido a produzir pequenos achados poéticos - os melhores exemplos estão na dança coreografada das atrizes ao som de “Fuck You” (Tomcraft) e no coral de vozes cantando na escuridão “L'Amour Toujours” (Gigi D'Agostino), com a ausência de função narrativa não atrapalhando nem diminuindo o prazer pop de assistir esses momentos, no melhor estilo Tarantino – por outro é desconfortável acompanhar um enredo tateando superficialmente sem conseguir dar consistência a inquietude dos personagens. E não ajuda nada atores recitando suas falas ou uma desnecessária e quase risível citação metalinguística. Quer dizer, o exercício metalinguístico é até coerente se levarmos em conta que com a queda de luz no apartamento onde a trama desenrola o próprio roteiro sofreu um black out e caiu num vazio (dentro do vazio) discursivo.
fotografia rica. uso de cores quentes e frias perfeitamente balanceado. amei como retratam a cidade apenas como um "borrão". sensacional!
Se por um lado é fácil ser seduzido pela liberdade descomplicada com que Mouramateus explora referências, aplicando-as com algum sentido a produzir pequenos achados poéticos - os melhores exemplos estão na dança coreografada das atrizes ao som de “Fuck You” (Tomcraft) e no coral de vozes cantando na escuridão “L'Amour Toujours” (Gigi D'Agostino), com a ausência de função narrativa não atrapalhando nem diminuindo o prazer pop de assistir esses momentos, no melhor estilo Tarantino – por outro é desconfortável acompanhar um enredo tateando superficialmente sem conseguir dar consistência a inquietude dos personagens. E não ajuda nada atores recitando suas falas ou uma desnecessária e quase risível citação metalinguística. Quer dizer, o exercício metalinguístico é até coerente se levarmos em conta que com a queda de luz no apartamento onde a trama desenrola o próprio roteiro sofreu um black out e caiu num vazio (dentro do vazio) discursivo.
-Se eu tivesse te visto em algum lugar eu acho que eu saberia. Eu já te vi?
-Eu não sei.
-Eu te amo, Daiana.