- aquele cinema que diz muito com poucos diálogos que o candeias faz como ninguém - contexto mais rural e com vingadores armados, que estava em alta nas novelas da época - falta de orçamento é clara, a narrativa fragmentada deve ser por isso
Eis que, muito tempo depois, vaza mais um telefilme do Candeias, realizado no início da década de 1970... Como de praxe, montagem e roteiro permeado por muitas elipses tornam a trama difícil de ser decifrada. Como sói acontecer também, na maior parte das vezes, os diálogos são pronunciados em 'off' e/ou fora do campo - e dizem muitíssimo, no que tange às ambições reflexivas contemporâneas. Em muitos sentidos, esse filme poderia ser classificado como "de fluxo"; noutros, expõe uma 'mise-en-scène' rigorosa, straubiana, em verdade. Joana Fomm está sobremaneira expressiva, num crescendo interpretativo que explode na revelação do desfecho. Não entendi quase nada, mas deixei-me levar pelas cantorias e reinterpretações bíblicas (que denunciam a malevolência de alguns religiosos, no que tange à usurpação ideológica do senso comum). Muito bom e muito árduo, autoral até a medula: sério que isso foi exibido na televisão? Caramba! (WPC>)
- aquele cinema que diz muito com poucos diálogos que o candeias faz como ninguém
- contexto mais rural e com vingadores armados, que estava em alta nas novelas da época
- falta de orçamento é clara, a narrativa fragmentada deve ser por isso
Eis que, muito tempo depois, vaza mais um telefilme do Candeias, realizado no início da década de 1970... Como de praxe, montagem e roteiro permeado por muitas elipses tornam a trama difícil de ser decifrada. Como sói acontecer também, na maior parte das vezes, os diálogos são pronunciados em 'off' e/ou fora do campo - e dizem muitíssimo, no que tange às ambições reflexivas contemporâneas. Em muitos sentidos, esse filme poderia ser classificado como "de fluxo"; noutros, expõe uma 'mise-en-scène' rigorosa, straubiana, em verdade. Joana Fomm está sobremaneira expressiva, num crescendo interpretativo que explode na revelação do desfecho. Não entendi quase nada, mas deixei-me levar pelas cantorias e reinterpretações bíblicas (que denunciam a malevolência de alguns religiosos, no que tange à usurpação ideológica do senso comum). Muito bom e muito árduo, autoral até a medula: sério que isso foi exibido na televisão? Caramba! (WPC>)