O Diamante Branco, de Werner Herzog - Amazônia, 1992: um acidente com um protótipo de dirigível criado pelo cientista britânico Graham Dorrington mata seu amigo e diretor de filmes ecológicos, Dieter Plage, enquanto filmava animais selvagens junto ao Rio Amazonas. Doze anos depois, Werner Herzog retorna à região ao lado de Dorrington, disposto a fazer uma segunda tentativa. Melhor documentário pelo New York Film Critics Circle.
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Sei lá o que me ocorreu mas simplesmente este documentário do Herzog não mexeu muito comigo.
Mágico. O que Herzog constroi aqui é pura e simplesmente mágico. Sua manipulação de atmosferas e climas é absurdamente fascinante, porque ele meio que decreta, indubitavilmente, que um documentário é capaz de se equiparar SIM a qualquer filme convencional no que concerne a estímulos audiovisuais e experienciais sensoriais - e aqui reside uma genialidade pouco comentada, que é o fato de Herzog emular um momento de suspense pungente (o "dark places" na busca das ervas), de ação climática (o cara que se pendura na corda pra olhar a cachoeira), de tensão dramática (a primeira tentativa de vôo) e, e aqui eu já preciso confessar que esse momento pegou, sei lá, top 15 cenas preferidas de todos os tempos pra mim, o momento de terror com os insetos.
Sua abordagem para com os "personagens" da narrativa é outra maluquice, e por uma série de fatores: não apenas suas perguntas partem de uma profundidade que parece escapar ao "objetivo principal" da narrativa, como se ele se importasse tanto com cada minúnia provinda das interações que faz sentido ele parar tudo só para aprofundar ainda mais naquilo que lhe chamou atenção, como sua maneira de filmar os rostos de tais indivíduos, que ora soa claustrofóbica, ora soa libertadora, e a sua facilidade para tornar o ambiente num lugar seguro para que as pessoas possam ser o que elas quiserem ser, mostrar, discursar ou até mesmo atuar, criando um ambiente inverossímil, algo que só funcionasse através de mágica. São imagens hipnotizantes, poéticas, com músicas que transmitem uma espécie abstrata de poder, de força, que a câmera de Herzog encaixa perfeitamente com as imagens da floresta, da natureza, do verde, do intocável. Obra prima, espetáculo artístico, experiência que dá sentido a vida.
Terminei de ver e corri pra pesquisar "como chegar nas Cataratas de Kaieteur". O documentário, além de dar uma vontade danada de conhecer essa maravilha da Amazônia da Guiana, desperta uma empatia pelos personagens e uma curiosidade sobre suas histórias. Sem falar na direção com o selo Werner Herzog de qualidade!
que graciosidade!!!
"Having heard such wondrous things about Mark Anthony's friend, we are curious to meet your splendid rooster."