Um estudante vende o reflexo de sua imagem para uma figura mefistofélica, e sua vida é arruinada por seu duplo espectral.
Balduin, jovem estudante, eximio esgrimista, enfrenta problemas financeiros que o impedem de cortejar a condessa pela qual se apaixonou. Mas um homem sinistro surge, oferecendo uma solução para seus problemas e exigindo, em troca, sua sombra.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Jamais confundam "ruim"com "rústico".
Apesar da decupagem datada, O Estudante de Praga (1913) foi o primeiro filme alemão produzido na história e está inserido no contexto da Alemanha pré Primeira Guerra Mundial (1914), assim, carregando um peso enorme para a história do cinema mundial.
A dramática ambiguidade que Paul Wegener e Stellan Rye criam com o jogo de claro e escuro influencia diretamente o Expressionismo alemão (1920. Pós Primeira Guerra) como base estética, além da presença de figuras das sombras, como o Dr. Scapinelli, e temas relacionados a morte, também, muito presentes no Expressionismo.
Um trabalho muito poético e filosófico de Paul Wegener, que explora bastante do dúbio existencial tão presente em outras obras daquele período histórico-cultural. A atmosfera do longa é, no mínimo, interessante, os efeitos também são bons para a época, fora que a estória é deveras curiosa, embora seja simples. Destaco o excelente trabalho com sombras, à época uma grande surpresa. Uma obra essencial da brilhante escola do Expressionismo Alemão.
Nota: 8/10
Surpreendentemente bom. É importante ver a versão restaurada para uma melhor experiência, já que as outras são de baixa qualidade e incompletas. Para mim, é um dos melhores filmes sobre o tema do duplo, valorizado por vir envolto no mito faustiano. Aliás, a cena do apartamento, quando o negócio é concluído e surge o duplo, é envolta em riquíssima aura literária. Já a plástica cena da mesa de jogo, é puro cinema de exemplar força visual.
Para a época muito bem produzido, com os cenários bem escolhidos e figurinos caprichados. O povo não lê contrato direito desde sempre, aí quando tem pegadinha, já era. Contrato genérico é fogo.
Quando o Scarpinelli leva a imagem do Balduin do espelho foi bem sinistro, ou seja, ele passou a ser um homem sem alma. Finalmente Balduin enlouquece de vez, acaba perdendo tudo e, na tentativa de matar seu outro eu, acaba se suicidando.
Essa produção vale uma conferida pelo seu valor histórico, já que é considerada o marco inicial do chamado cinema expressionista alemão. Não considerando isso o que se vê é um filme curto, mas de ritmo pouco dinâmico que o faz parecer mais longo do que é. Perde-se tempo com cenas desnecessárias e outras que seriam mais importantes para a história recebem menor atenção. Tem um bom enredo que infelizmente foi mal desenvolvido relegando à obra apenas o seu valor histórico.