É sempre muito delicado (e eventualmente perigoso) criticar trabalhos de pessoas que conhecemos pessoalmente, mas, como trata-se de uma produção sergipana - inclusive, financiada por capital estatal, através do êxito num edital público - a reação é também obrigatória, no que tange ao merecimento exortativo do trabalho em pauta. Repetindo: como conheço pessoalmente o realizador, incomodo-me com o que percebo como uma assimetria da forma em relação ao conteúdo. Há neste filme - como na maior parte dos contributos audiovisuais do diretor e roteirista - uma dissociação inorgânica de elementos que, em tese, não deveriam separar-se. Mas há também um inequívoco senso de comprometimento entretenedor e proto-surrealista, uma competência técnica invejável e um esforço existencial decorrente de ótimas referências, infelizmente contrabalançadas pelo narcisismo compreensível do artista em pauta (aqui, menos adequado aos devaneios da personagem objetal que noutras de suas competentes aparições). Sendo assim, o curta-metragem começa muito bem, é alvejado por inúmeros efeitos visuais à la 'Twin Peaks: The Return', e termina com um poema e coreografia erótica em primeira (e única) pessoa, que não parece tão autêntica em sua combinação anímico-prosopopéica. Mas insisto: é um filme visualmente muito bonito (a direção de fotografia está de parabéns!), a primeira aparição actancial de Ravi Aÿnore é ótima e, como era de se esperar, o dilema da cadeira nos leva a pensar sobre a vida, sobre os abandonos inevitáveis e sobre o que sentimos durante a quarentena forçada e prolongada. Sem contar que a canção-tema "Desejo é Morte" (composta por João Mário) é um primor!. Afinal, expectativas espectatoriais são confirmadas e o investimento alheio é compensado pela autoralidade idiossincrática (e limitada às suas obsessões, obviamente) do realizador. De um modo discreto porém sincero, merece mais que nossos aplausos: siga alçando vôos, Coruja Mística! - WPC>
É sempre muito delicado (e eventualmente perigoso) criticar trabalhos de pessoas que conhecemos pessoalmente, mas, como trata-se de uma produção sergipana - inclusive, financiada por capital estatal, através do êxito num edital público - a reação é também obrigatória, no que tange ao merecimento exortativo do trabalho em pauta. Repetindo: como conheço pessoalmente o realizador, incomodo-me com o que percebo como uma assimetria da forma em relação ao conteúdo. Há neste filme - como na maior parte dos contributos audiovisuais do diretor e roteirista - uma dissociação inorgânica de elementos que, em tese, não deveriam separar-se. Mas há também um inequívoco senso de comprometimento entretenedor e proto-surrealista, uma competência técnica invejável e um esforço existencial decorrente de ótimas referências, infelizmente contrabalançadas pelo narcisismo compreensível do artista em pauta (aqui, menos adequado aos devaneios da personagem objetal que noutras de suas competentes aparições). Sendo assim, o curta-metragem começa muito bem, é alvejado por inúmeros efeitos visuais à la 'Twin Peaks: The Return', e termina com um poema e coreografia erótica em primeira (e única) pessoa, que não parece tão autêntica em sua combinação anímico-prosopopéica. Mas insisto: é um filme visualmente muito bonito (a direção de fotografia está de parabéns!), a primeira aparição actancial de Ravi Aÿnore é ótima e, como era de se esperar, o dilema da cadeira nos leva a pensar sobre a vida, sobre os abandonos inevitáveis e sobre o que sentimos durante a quarentena forçada e prolongada. Sem contar que a canção-tema "Desejo é Morte" (composta por João Mário) é um primor!. Afinal, expectativas espectatoriais são confirmadas e o investimento alheio é compensado pela autoralidade idiossincrática (e limitada às suas obsessões, obviamente) do realizador. De um modo discreto porém sincero, merece mais que nossos aplausos: siga alçando vôos, Coruja Mística! - WPC>