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Data de lançamento
27 Nov. 1985Duração
É um documentário de 1985 sobre Glencoe, Minnesota, do cineasta francês Louis Malle. Imagens originais de uma comunidade agrícola, 96 quilômetros a oeste de Minneapolis, Minnesota, foram filmadas em 1979 para um documentário da PBS
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Mais um dos documentários etnográficos de Louis Malle, e devo dizer que este talvez seja o meu favorito entre eles. O olhar europeu do cineasta sob as idiossincrasias da sociedade norte-americana e sua cultura político-religiosa e vida social é um interessante alento para tentar desvendar o que existe por trás deste país que criou para si mesmo uma narrativa de "vencedor" nas relações geopolíticas mundiais, tornando-se a grande referência a "ser seguida" pelo mundo ocidental, por meio de personagens banais do cotidiano que não "se sentem" ou, pelo menos, não nos parecem fazer parte desta narrativa de vitória que a nação tanto tenta vender para o resto do mundo.
Esse doc foi massa até por mostrar um pouco de Malle.. o respeito dele pelos personagens, pela cidade, pelas histórias.. é muito bonito, principalmente quando ele retorna para Glencoe e dá pra ver como ele fica animado em reencontrar aquelas pessoas.. só senti falta de ver algumas outras pessoas nessa retomada, que achei muito curta, talvez apressada.. queria ter visto mais sobre como a narrativa do liberalismo ascendeu, e como bem dito no comentário aqui em baixo, "Ajuda muito a entender a mentalidade red-neck e como que o neoliberalismo os empurrou para os braços do populismo de direita e o neofascismo" justamente pq traz discussões importantíssimas sobre o conservadorismo estadunidense.
Imagina um documentário que tem por cenário uma cidade norte-americana repleta de red-necks! Agora, imagina que a história ali contada te fará desenvolver empatia por aquelas pessoas.
Se tem um gênero que eu evito é o documentário! Mas talvez seja mais por conta do fandom do que pela estrutura do gênero em si.
Então, só assisti a este doc devido ao seu realizador. E é, desde já, um dos meus filmes preferidos! Louis Malle foi genial na construção da narrativa! Além da edição e do roteiro serem dignos de nota, justamente por serem objetivos, sem firulas.
Têm vários momentos que são antológicos, seja pela simplicidade e espontaneidade com que os “personagens” se apresentam e comentam sobre suas vidas, seja pelo que revelam das contradições da realidade social em que vivem – e que estruturam. Destaco o momento, ainda nas filmagens de 1979,
do almoço do jovem casal de fazendeiros, em que o realizador observa que o preparo do almoço consiste, basicamente, “no abrir de várias latas” (comida enlatada, pré-pronta) e complementa: “eles não bebem nem o leite que produzem"
Malle constata as dificuldades financeiras daqueles agricultores, bem como as reações e racionalizações daquelas pessoas à crise. Desde os que sinalizavam a adesão a uma narrativa de extrema direita aos que viam no governo Reagan a responsabilidade pela escalada da financeirização da economia agrícola
Para além da revelação da configuração social local (
a quase inexistência de negros, casais formados por noivos saindo da adolescência, a jovem mulher homossexual que precisa ir a outra cidade para se relacionar, a equipe de teatro amador que dribla – e testar - o conservantismo de seus concidadãos
Ajuda muito a entender um momento da história econômica contemporânea e o drama vivido pelos agricultores norte-americanos durante a reaganomics. Ajuda muito a entender a mentalidade red-neck e como que o neoliberalismo os empurrou para os braços do populismo de direita e o neofascismo.
Um belo filme, de um grande diretor.