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Há um mundo escondido lá fora que está se preparando para explodir: o mundo das favelas. Uma massa fervente da humanidade habita-a; mais de um bilhão de pessoas. Este poderoso documentário nos leva através de três continentes ao coração deste novo nicho global. É o maior desenvolvimento da sociedade que a humanidade já conheceu.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Deprimente! E saber que os políticos aumentam o próprio salário num país pobre desse jeito. Sem esperança nenhuma. Que dó!
Ótimo documentário que mostra um pouco da vida em três favelas de diferentes continentes.
No Quênia, um dos entrevistados diz que o futuro para quem não estuda traz três opções: 1) Produzir uma "cerveja artesanal" ilegal, utilizando fluídos para embalsamar corpos, ácido de bateria e combustível de avião em seu processo de produção; 2) se tornar um ladrão; 3) ou um barão do narcotráfico. Também mostra a disparidade entre a remuneração de um trabalhador informal das favelas e dos políticos.
Já na Guatemala, foca na realidade violenta das gangues; também na violência e abuso familiar, que levam jovens a fugir de casa e praticar delitos para sobreviver. Não se trata de justificar a criminalidade ou generalizar sua causa. Trata-se de um recorte, uma amostragem que pode ser compreendida por aqueles que possuem o mínimo de honestidade intelectual.
Por fim, a última parte do documentário mostra uma favela nas Filipinas, país que tem um histórico "interessante", por estar situado na Ásia e ter influências culturais da Espanha e dos EUA. Aqui, vemos uma família que aufere parte de sua renda vasculhando um lixão.
Em todos os locais, o ponto em comum é sempre o das condições insalubres de moradia, sem saneamento básico e até mesmo ausência de eletricidade. Também pela grande densidade populacional nestas favelas e, também, o elevado número de filhos por família (cerca de cinco).
Sempre me pergunto: se houvesse maior ênfase à políticas de planejamento familiar, legalização do aborto (em tais países, o procedimento é proibido, salvo exceções) e menor influência da religião no tema, será que haveriam menos favelas? Este, para mim, é sempre um ponto fulcral quando pensamos em algo simples: recursos versus demanda. Existe um livro bem interessante (apesar de alarmista) que discute superpopulação: "10 Bilhões (Stephen Emmott).
O documentário sempre trata os gastos das famílias nas respectivas moedas locais, mas quando vai mostrar os salários, sempre o exibe em dólares. Isso dá um certo tom sensacionalista. Basta ouvir o relato de qualquer pessoa que tenha morado no exterior para saber que não se calcula o custo de vida fazendo conversões diretas de moedas.
Em suma, passamos a utilizar o eufemismo "países em desenvolvimento" para nos referir a países como o Brasil, que são de Terceiro Mundo. Todavia, como o fundo do poço tem subsolo, nos deparamos com a expressão "Quarto Mundo" para mostrar as piores condições de vida, abaixo da linha da pobreza.
E é isso que me causa espécie: esse mundo "cyberpunk" em que vivemos, num "High Tech, Low Life" (Alta Tecnologia e Baixa Qualidade de Vida), no qual vemos uma pessoa com iPhone na mão, mas pisando num esgoto a céu aberto. Vivemos numa realidade que traz, ao mesmo tempo, a tecnologia do futuro e a Idade Média.
É este o Admirável Mundo Novo que queremos?