Desde o desaparecimento da irmã, Jax (Lily Gladstone) cuida de sua sobrinha Roki (Isabel Deroy-Olson) enquanto ela tenta ganhar a vida na reserva Seneca-Cayuga, em Oklahoma. Ela dedica todo o seu tempo procurando pela irmã perdida, mas também ajudando Roki a se preparar para sua próxima cerimônia de powwow. Quando o avô de Roki, Frank (Shea Whigham), ameaça tirar de Jax a custódia de sua sobrinha, as duas pegam a estrada e exploram o estado em busca da mãe de Roki para tentar encontrá-la antes do powwow. O que começa como uma pesquisa transforma-se lentamente numa investigação mais profunda das complexidades e contradições que as mulheres indígenas enfrentam em um mundo colonizado à mercê de um sistema judicial falido.
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Mais do mesmo mas n deixa de ser bom...
História batida e contada de forma irregular, mas dá pra passar o tempo.
Boa tentativa mal desenvolvida.
Bonita cena final.
Tentaram fazer algo hit aqui, mas não conseguiram… Lily merecia um papel mais potente, este fica devendo em muitos aspectos…
Se torna chato e desinteressante no seu desenrolar
A história de Jax (Gladstone) procurando pela irmã desaparecida enquanto cuida da sobrinha adolescente Roki poderia facilmente cair no lugar-comum do "índio sofrido" que Hollywood adora explorar. Mas a direção de Erica Tremblay - uma mulher indígena atrás das câmeras, gente! - entende que trauma não é espetáculo. É vida. É cotidiano. É a forma como você escova o cabelo da sua sobrinha sabendo que pode ser a última vez.
Lili Gladstone continua sendo uma das atrizes mais magnéticas do cinema atual. Aquela mulher consegue dizer mais com um olhar do que muito ator gritando por duas horas. Quando ela está em cena com a jovem Isabel Deroy-Olson (que entrega uma Roki absolutamente arrebatadora), a química é tão genuína que você esquece que está assistindo ficção. É tia e sobrinha de verdade ali, navegando o luto, a raiva e o amor de um jeito que chega a machucar.
Mas o que mais me tocou foi como o filme trata a cultura powwow não como folclore ou elemento pitoresco, mas como linha de vida. A fancy dance do título não é só uma dança tradicional - é conexão, é identidade, é a forma que Roki encontra de se manter ligada às suas raízes enquanto o mundo ao redor desmorona. E quando ela finalmente dança no powwow final... gente, preparem os lencinhos.
O filme não romantiza a vida na reserva nem cai no paternalismo de mostrar "os pobres índios". Aqui temos pessoas complexas, com seus vícios, virtudes e contradições. A família de Roki não é perfeita, mas é família. E às vezes é isso que basta.
A trilha sonora merece destaque especial: os tambores tradicionais se misturam com elementos contemporâneos criando uma atmosfera que é ao mesmo tempo ancestral e urgente. É como se o filme respirasse no ritmo dos powwows, naquele tempo circular onde passado e presente dançam juntos.
No final das contas, O Ritmo da Dança é sobre amor. Amor familiar, amor cultural, amor pela própria identidade. É sobre mulheres indígenas que se recusam a ser vítimas de suas circunstâncias e escolhem ser guardiãs de suas tradições. É sobre dançar mesmo quando o mundo está desabando.
E Lili Gladstone? Que continue sendo essa força da natureza, essa voz potente do cinema indígena contemporâneo. Porque representatividade bem-feita é isso: não é colocar uma pessoa "diferente" na tela para inglês ver, é dar espaço para que histórias autênticas sejam contadas por quem as vive.