Anderson
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Porto Alegre - (🇧🇷 BRA)
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Últimas opiniões enviadas

Anderson
½
1 semana atrás

Nem toda continuação consegue ser mais emotiva que o original, mas esta chega perto. Enquanto o primeiro filme acompanhava o julgamento de Kim Ja-hong nos sete infernos, aqui a história volta os olhos para os três guardiões, em especial para Haewonmaek e Deokchun, e para um passado que explica por que eles carregam tanta melancolia. É uma mudança de foco interessante, que dá mais alma ao conjunto, mas que também cobra um preço em ritmo.

A estrutura alterna entre o presente, em que o outro irmão de Ja-hong tenta evitar que o espírito dele se torne um fantasma vingativo, e uma longa série de flashbacks de uma vida anterior dos guardiões. Quando esses recuos funcionam, funcionam muito bem, com um drama de época bonito de ver e com revelações que mudam a forma como enxergamos personagens que já conhecíamos. O problema é que a sobreposição de tantas linhas narrativas deixa o filme um pouco inchado, e há momentos em que a trama parece explicar demais o que as emoções já tinham comunicado sozinhas.

O visual segue sendo um dos pontos fortes. Os cenários do além têm escala, os efeitos são competentes e há sequências de ação bem coreografadas, ainda que o CGI às vezes entregue sua artificialidade. O elenco carrega o filme com segurança, e Ha Jung-woo e Ju Ji-hoon têm uma química que sustenta até as cenas mais melodramáticas. O melodrama, aliás, é a marca registrada da série: quem não tem paciência para o drama familiar coreano em doses generosas talvez ache o final exagerado, mas quem embarca vai provavelmente chorar.

Anderson
½
1 semana atrás

Quem acompanhou a CPI da Covid em tempo real, grudado na TV ou no celular, sabe que ela já era um filme à parte, com protagonistas, vilões e reviravoltas que nenhum roteirista ousaria propor. O desafio de Dandara Ferreira, diretora de Meu Nome É Gal, era transformar um material que o país já viu em um registro que justifique ser assistido. Ela cumpre boa parte da tarefa, graças ao acesso inédito aos corredores do Senado, que dá ao documentário um frescor de bastidor, de gente cansada, tensa e articulando longe dos holofotes.

O melhor do filme está no contraponto entre o teatro político e a dor real. Quando a câmera sai dos gabinetes e vai até as famílias das vítimas, o documentário ganha peso e deixa de ser só uma crônica de Brasília. Há ali uma tristeza que não precisa de trilha sonora insistente para funcionar, e o filme acerta ao deixar esses relatos respirarem. A discussão sobre desinformação e sobre a banalização da vida é dura, necessária e conduzida com seriedade.

O problema é que o recorte demorou a se achar, e isso aparece. A própria diretora admite que o filme foi descoberto na montagem, e em alguns momentos dá para sentir a quantidade de material disputando espaço. A estrutura em três atos organiza o caos, mas nem sempre evita a sensação de que algumas passagens são mais um álbum de lembranças do que uma tese. Para quem viveu a CPI de perto, certas cenas soam familiares demais, e o documentário às vezes parece pregar para convertidos.

Ainda assim, é um filme que importa pelo que registra e pelo que se recusa a deixar esquecer. A pergunta sobre responsabilização e impunidade fica martelando depois dos créditos, e esse incômodo é o maior mérito da obra. Não é o documentário mais ousado do ano em linguagem, mas é um registro honesto, doloroso e útil, daqueles que a gente respeita mesmo quando gostaria que arriscassem um pouco mais.

Anderson
1 semana atrás

O novo longa do diretor mexicano David Pablos acerta ao fugir dos clichês românticos e entregar uma experiência visceral, ambientada no universo árido e hipermasculino das estradas do norte do México. Ao acompanhar a relação conturbada entre Veneno, um jovem andarilho que vive de pequenos bicos e favores sexuais, e Muñeco, um caminhoneiro calado e rígido, o filme constrói uma tensão constante onde o afeto e o perigo caminham lado a lado.

A grande força da produção está no tom cru e sem pudores com que aborda o erotismo e o desejo queer. Longe do idealismo, a intimidade entre os personagens surge em meio ao suor, à graxa e à poeira da boleia, num ambiente onde demonstrar vulnerabilidade é quase uma ameaça. A química entre Victor Prieto e Osvaldo Sanchez funciona muito bem justamente porque os dois atores trabalham com extrema contenção, entregando atuações físicas e muito naturais.

Visualmente marcante, a fotografia explora os cenários desérticos com uma iluminação que contrasta a aridez do dia com a iluminação estilizada das paradas noturnas. A direção de Pablos conduz a narrativa em um ritmo pausado que valoriza os silêncios e a ambientação sonora, fazendo com que cada olhar carregue mais peso do que os próprios diálogos.

Ainda que o ato final acelere um pouco o passo ao introduzir elementos de suspense que flertam com o exagero, a obra não perde sua essência. É um retrato provocativo, denso e corajoso sobre a busca por conexão em lugares sufocantes, consolidando David Pablos como um dos nomes mais interessantes do cinema latino-americano recente.
Max

  • Filmow 1 mês atrás

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Trybiane 2 meses atrás

    obrigado ^^ nem sabia que tinha assinatura. acho que tinha que ter mais vantagens. só não ter anúncio e selo é muito pouco. eu uso o brave aqui nem aparece anúncio.

  • Trybiane 2 meses atrás

    bom dia ^^ como que faz para ter essa coroa no nome no filmow?