O filme apresenta três episódios independentes, cada um com estilo narrativo e visual distintos, unidos pelo tema metafórico e literal do naufrágio - entendido não tanto como desastre natural, mas como estado de isolamento, ruptura e pertença perdida.
Eu tenho a impressão que nos últimos anos O triângulo da tristeza (que sempre esteve longe de ser uma unanimidade) teve uma influência maior do que o inicialmente imaginado. Também me parece um pouco subestimada a influência do cinema do Lanthimos, que, também nada unânime, tem seus filhos espalhados por aí. O próprio grego curiosamente fez sua tríplice do desconforto, em Tipos de gentileza. Falei falei e não citei o filme em questão, mas isso porque ele nada parece além de uma tentativa repetida de fazer uma antologia que tira sarro de situções amplamente desconfortáveis, com atuações propositalmente engessadas. Mas o que o filme tem a oferecer além disso? Três histórias que vejo como desequilibradas, no máximo. O estilo delas não tem muita coisa em comum, principalmente com a terceira. Tentam falar de momentos de um naufrágio metafórico, claro, mas além da literalidade disso, não enxergo que ofereça nada além, principalmente nas últimas duas histórias. Vejo que um filme como "As Mil e Uma Noites: Volume 1" cumpre melhor seu papel em ser uma antologia com histórias estranhas em uma narrativa propositalmente sem muito entusiasmo.