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Conta a história da criação do parque nacional do Xingú e a importância dos irmãos Villas Boas para a preservação da história e a cultura brasileira. Mostra os misteriosos rituais indígenas do Xingu, como o cerimonial que sagra a separação definitiva entre vivos e os mortos entre os índios do Xingu e seu grande cacique branco.
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Apesar do início promissor, onde uma indígena idosa narra como foram os seus primeiros contatos com os homens brancos que saíam de "aviões cagões" e como passaram a ser contaminados após se acostumarem a se alimentar da comida dos brancos, o filme logo revela a que veio: tem o intuito claro de hagiografar os parentes do diretor! Particularmente, eu não nego que os irmãos Villas Bôas mereçam esta homenagem - muito pelo contrário, aliás: eles merecem ser muito mais conhecidos e valorizados ainda! - , mas saí da sessão absolutamente indignado, como se estivesse assistindo a uma ode sob o idealizador do zoológico!
O filme inverte a perspectiva inicial e, de repente, os depoentes começam a dizer (entre outras barbaridades) que: 1 - é ótimo que os índios tenham contato com plástico e aço e desejar o contrário é anacronismo nostálgico-salvacionista; e 2 - os índios têm um DÉBITO imenso com os irmãos Villas Bôas, de modo que incluí-los, mesmo sendo caraíbas, nos rituais até então reservados apenas para heróis nativos, é um gesto mínimo de devoção a quem fez tanto pelas tribos que perigavam ser extintas... Fiquei escandalizado com o que ouvi! Absurdo! Tudo bem que os segmentos que mostram índios lamentando a vida na reserva e sentindo falta de suas terras natais me interessou, como se o diretor soubesse o que estava fazendo, mas, em seguida, ele apresenta-nos a uma cerimônia espetaculosa do ritual-título, em que filmar a pletora de jornalistas e profissionais contratados para transformar o evento em espetáculo é destacado como algo que honra a memória dos célebres indianistas. Mais à frente, é lido com pompas solenes a suposta declaração de um cacique num evento de administradores europeus, em que é dito que a Europa tem (de novo esta palavra) uma dívida imensa com a população indígena brasileira, mas que o sangue embutido no processo poderia ser desconsiderado caso ao menos um porcentual das riquezas roubas fosse devolvido, "sem juros" (sic). Absolutamente escandalizado com a malevolência discursiva deste filme! (WPC>)