A região de Fontaine-de-Vaucluse, um livro de geografia, um quadro de Giorgione, um comentário de Lucrécio por Bergson, uma forma poética de Petrarca; são os elementos que, agenciados num sistema circular, compõem o Vale Fechado.
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Uma série de imagens bucólicas em super 8, entregues de modo avulso, e contemplativamente entremeadas a uma narrativa supostamente inspirada numa lição de geografia que revela conversas por telefone de bastidores sobre a captação de som e citações literárias repetitivas. Cujo encaixe e relacionamento das imagens com as citações e narrações é mais subjetivo e processual do que uma oferta da obra em si. É mais um filme-processo ou um esboço de montagem experimental sobre a incapacidade de um autor em conduzir de modo assertivo a captação das belezas do mundo (como é revelado numa das últimas enunciações) e portanto de imprimir cortes, elipses, supostamente motivado por uma indisposição contemplativa em desferir sucintamente um golpe fálico e colonizador sobre as imagens e restituir o tempo fleumático para deglutir a realidade cotidiana, eternamente sob distração dos sentidos pelo trabalho. É um filme-estímulo-processo cujos méritos não estão na propriedade intrínseca da narrativa ou para a conjugação das imagens, mas sim em evocação extrínseca das referências literárias ou como restituição do tempo perdido de contemplação da vida moderna (o mesmo pretexto terapêutico de Marina Abramovic que anima este cinema contemplativo, oferecer uma oportunidade de contato intimista com a natureza/ a realidade ao espectador, supostamente inspirado por uma ilusão observacional da não-intervenção autoral ou uma fórmula autoral que revela um abatimento emocional para conter o fluxo de imagens do real e assim submeter cortes abrasivos). Na verdade, a proposta desse filme não é o hermetismo, mas a abertura excessiva dos poros desse vale de imagens bucólicas ao espectador.