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Aventureiros do México se deparam com um monstro pré-histórico e decidem exibi-lo em um circo para fazer dinheiro, mas a criatura não está muito interessada em participar desse plano...
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O cara matou um Pterossauro na unha ! Kkkkk
Existe um certo prazer em ver ideias improváveis sendo costuradas no mesmo tecido, e The Valley of Gwangi é justamente isso: um faroeste que cruza de repente com o território do impossível, um vale secreto povoado por criaturas pré-históricas. Não é só o estranhamento da combinação, mas o modo como ela funciona. Cowboys laçando dinossauros como se fossem cavalos indomados, a busca por um pequeno cavalo que poderia ser o ancestral esquecido da espécie, um pterossauro arrebatando uma criança. É como assistir a uma arena onde o cinema mistura brinquedos de gêneros diferentes e descobre que eles podem caber na mesma caixa.
O charme do filme é esse híbrido: de um lado, o imaginário árido do oeste, feito de rodeios, promessas de fortuna e amores complicados; do outro, os monstros animados, stop-motion que pode soar datado aos olhos modernos, mas que carrega uma vitalidade rara. Em tempos em que todo filme vira motivo para a reclamação do “CGI podre”, há algo quase libertador em ver bonecos em movimento, ver cordas tensionadas no corpo de uma criatura que tenta se desvencilhar. Pode não ser assustador, pode não ser realista, mas é um espetáculo lúdico que ainda prende o olhar. Basta lembrar da cena em que cowboys tentam prender a boca de Gwangi, e a coreografia desse falso realismo rende mais encantamento do que a maioria das feras digitais atuais.
É claro que a comparação com King Kong é inevitável: a trama do animal capturado para virar espetáculo, a arena transformada em palco de destruição, a ilusão de que se pode domesticar o selvagem. Mas há algo particular aqui: o prazer quase infantil de ver cowboys puxando laços sobre um dinossauro. A sequência da captura, com cada corda esticada contra a fúria da criatura, evoca até o suspense físico de Jaws — cada arpão contra o tubarão, cada barril puxado ao limite. Gwangi nunca atinge a mesma intensidade dramática, não tem o crescendo claustrofóbico do barco encurralado; mas por alguns instantes, naquele entrechoque de cordas e rugidos, alcança um parentesco inesperado.
Os personagens ajudam a dar sustentação a esse delírio. Tuck, o cowboy com faro para negócios, e T.J., a artista que pula de alturas impossíveis com seu cavalo, formam um casal cheio de química, sempre dividido entre amor e empreendimento. O garoto Lope funciona como guia inocente, a criança que atravessa mundos. Há uma energia boa nesse trio: não é o romance intenso que poderia ser — em um remake talvez houvesse mais paixão, mais centelhas —, mas é suficiente para dar corpo humano ao espetáculo.
No fim, o destino e os ataques de Gwangi, consumido pelo fogo, poderiam ser mais violentos, mais sangrentos — e talvez um remake ousasse nesse caminho —, mas a imagem ainda funciona: a criatura indomada sucumbe ao elemento mais primitivo de todos, a chama. The Valley of Gwangi é esse espetáculo desajeitado e fascinante: uma colagem de ideias que não deveriam caber juntas, mas que acabam encontrando forma. Se não assusta, diverte; se não emociona, encanta pelo improvável. É faroeste, é dinossauro, é circo e tragédia. Um daqueles filmes que parecem nascidos de uma brincadeira de criança, mas que carregam, escondido no meio do jogo, a velha lição: quem tenta capturar a fera, acaba sempre devorado por ela.
A incrível combinação de cowboys e dinossauros, com efeitos especiais stop-motion do mestre Harryhausen, é obrigatória para qualquer amante de ficção/fantasia/western!
Visto em 22/09/2021.
Chatinho, a melhor parte são os efeitos especiais do mestre Ray Harryhausen.
Fora algum romance desnecessário, um bom filme.