Dirigido por
Duração
Dois adolescentes malinenses, Bah e Batrou, oriundos de classes sociais diferentes, se encontram no liceu. Bah é o descendente de um grande chefe tradicional. O pai de Batrou, governador militar, representa o novo poder. Ambos os adolescentes pertecem a uma geração que recusa a ordem estabelecida e põe em questão a sociedade.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Marília Mendonça: Sentimento Louco
Encantando e impactado com esse filme!
A dualidade das famílias representa bem os processos sobre território que a região passou ao longo da segunda metade do século XX, o tradicional e a tentativa de novo governo, pautado no autoritarismo. Um cinema que o próprio Cisse fala que é comprometido e esse é um ótimo exemplo. Refleti muito nessa parte. Em contrapartida a nova geração dessas famílias também representam novas perspectivas em relação as suas famílias, sendo verdadeiramente fluxos capazes de transformar uma sociedade que já apresenta sérios problemas e isso também mecheu muito comigo.
Fora isso, o diretor tem um talento extraordinário em como contar essa histórias, me chama muita atenção seus enquadramentos no qual posicionam uma grande quantidade de atores no quadro, trabalha muito a encenação dentro do quadro e com movimentação de câmera, uma verdadeira aula!
o vento transforma o pensamento do homem
Jovens e velhos hábitos: paixões, drogas, estudos, rebeldia. Governos e autoritarismo. Manifestações de rua e impactos na política. O povo unido, ainda que reprimido. A fé e as tradições. O novo que sempre quer vim.
Finye traz todos esses elementos, construindo um mosaico social, político, familiar e humano que são universais.
Este é o primeiro filme do famoso Souleymane Cissé a que tive acesso e confesso que a montagem elíptica dificultou um tanto a minha apreensão dos diversos conteúdos prenhes de sagacidade crítica e histórica que compõem este belo filme. Entretanto, nada que me impeça de admirar o talento superlativo do diretor (que, de fato, revela-se como um gritador cinematográfico mui contundente no coração da África), do uso da poesia na trilha sonora e na direção de fotografia e, obviamente, do ótimo elenco, que empresta vida aos personagens. Muito bom, ainda que, à primeira vista, tenha me valido mais pela curiosidade "gastronômica" do que pelo filme em si, não obstante as cenas de rebelião estudantil não deverem nada, absolutamente nada, a qualquer filme francês sobre maio de 1968! (WPC>)