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Duração
Dirigido pelo premiado cineasta István Szabó (Mephisto, Adorável Júlia), esta clássica obra do cinema, indicada ao Oscar de Melhor filme Estrangeiro e premiada pelo Júri do Festival de Cannes, traz uma história baseada em fatos reais. Em Coronel Redl conhecemos a vida de Alfred Redl (Klaus Maria Brandauer), um ambicioso soldado de origem camponesa e sua luta para combater as manobras políticas dos seus inimigos. Um jovem homossexual obcecado pelo desejo de ascensão dentro da corporação militar do exército Austro-Húngaro no início do século.
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Belo exemplar do cinema dos anos 80, insosso, quadrado ,burocrático e chato nossa que chatice sem fim, a não ser que você se empolgue com os meandros do militarismo , neste jogo de poder e submissão ou mesmo aqueles que se identifiquem com as questões ligadas à homossexualidade do personagem principal. O mundo mudou tanto de 85 pra cá que até mesmo o choque que poderia causar no retrato de um militar gay nem isso consegue mais.
István Szabó dirige fantasticamente esta crônica, que se afasta um pouco das questões geo-políticas da Europa Central, entre meados do séc.XIX e inicio do XX, para centralizar a atenção dos acontecimentos na polêmica figura do Coronel Redl. O filme é uma obra prima por prender a atenção pelos diálogos, pela mostra dos acontecimentos que desencadeariam a 1ª Guerra Mundial e principalmente pela fantástica atuação de Klaus Maria Brandauer sob a batuta de Szabó. Ele deixa a lição que "mesmo odiando política e políticos, deixando-se conduzir por ela e por eles com o único objetivo de servir ao Poder, significa sentir-se profundamente usado nos seus propósitos pessoais".
A terrível cena do suicídio foi modificada no filme, o Coronel, na verdade, foi surpreendido num flagrante numa ação de contra-espionagem a serviço da Rússia, prontamente ele atirou contra sua própria cabeça, fato que descontentou os altos escalões do exército Austro-Húngaro que pretendia interrogá-lo.
http://ohorror-ohorror.blogspot.com.br/2015/03/coronel-redl-1985.html
No início do século XX, o multiétnico e outrora poderoso Império Austríaco (agora associado à Hungria) estava em decadência, mas tentava manter seu prestígio diante das outras nações. É nesse ambiente, verdadeiro campo minado de conflitos, intrigas e jogos de interesses, que o ambicioso Alfred Redl renega suas origens e tenta fazer carreira no exército imperial, seu grande desejo. Um homem narcisista que se transforma em joguete político e se põe a mercê dos inimigos. De origem judaica (em um país antissemita) e ainda por cima com tendências homossexuais, sua rápida subida ao poder traz um presságio de iminente queda.
Klaus Maria Brandauer empresta seu talento para dar vida nas telas a Alfred Redl, e faz isso exemplarmente. O olhar de cobiça numa face carregada de frieza astuta compõem seu personagem. Desde a infância (algumas das melhores cenas), passando por detalhes da carreira militar, o filme nos faz acompanhar esse personagem difícil de despertar empatia, contudo nos deixa curiosos para adivinhar o que se passa naquela mente que se protege de uma investigação.
"Coronel Redl" não é um filme de batalhas ou heroísmos. Tem pouca ação, é mais uma história que apresenta um perfil comportamental. Pode parecer um filme cansativo em certos momentos porém, em sua proposta, se sai muito bem. Com bela fotografia e um elenco afiado, "Coronel Redl" é um bom momento do cinema e merecia ser mais conhecido. Além disso, favorece a compreensão de um importante momento da história europeia, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial.
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