Dirigido por
Duração
Documentário que, a partir de uma comparação com movimentos como a Primavera Árabe ou manifestações ambientais canadenses, acompanha a ocupação de quase dois meses em Wall Street e especifica como uma movimentação revolucionária coletiva pode ser um ato de amor...
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Para além de minhas discordâncias sobre alguma das práticas de (suposto) protesto mostradas no filme e aquém, muito aquém, do que estes representam para a conjuntura motivacional e combativa hodierna, o filme é absolutamente nojoso em seu viés oportunista e manipulatório dos eventos que pretende abordar... A disposição cautelosa dos depoentes acadêmicos frente a bibliotecas e ostentando caríssimas jóias em seus pescoços e/ou orelhas versus a fingida aleatoriedade na escolha dos manifestantes com direito a fala demonstra o quanto Velcrow Ripper é primário (no pior sentido do termo) em sua perniciosidade discursiva, enviesada e cooptada por aquilo que os ocupantes de Wall Street alegavam combater... Fundamentado sobre um roteiro com pesquisa apressada e mal-fundamentada, apoiado em comparações afoitas e justificadas apenas pela emergência dos fatos, o filme ao menos consegue ser exitoso na conquista de seu objetivo de exibir a conformação de "um amor equivocado e imperfeito, porém humano", mas utiliza este mesmo amor contido no título de forma nomenclaturalmente precária, valendo-se de abstrações vergonhosas e permeadas pelo que de mais tecnocrático existe em matéria de 'new age'. As inserções de depoimentos de indígenas, budistas e protestantes contra o consumismo são interessantes, mas o filme é organizado sob a lógica do (auto)deslumbramento do diretor, que inveja desde a disposição de uma dupla de octogenárias até os atropelos naturalistas de um garotinho que alega que "a natureza é incapaz de fazer 'bullying' com os seres humanos". Não vou dizer que o filme é desimportante (ele é), mas esta exortação tem muito mais a ver com os usos e apropriações que movimentos sociais fazem dele que em relação ao filme enquanto produto artístico de protesto: neste quesito, ele é formalmente vilanaz, conteudisticamente entreguista e péssimo sob quase qualquer viés que venha a ser analisado. Para mim, amor é algo completamente diferente! (WPC>)