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Carlos Oscar Reichenbach Filho. Ou simplesmente, Carlão. Um cineasta brasileiro. Sexo, cinema, política. Transgressão e afeto, revolução e intimismo. Desejo e utopia. O cinema e o mundo visto com olhos livres.
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Num primeiro contato com este filme, comentei que ele era "vago" numa conversa de WhatsApp, o que engendrou a repreensão de um amigo, no sentido de que eu estava sendo tão ou mais vago ao comentar isso. Revi o filme, a propósito de um festival no qual ele compete, e esta impressão foi substituída por outro sentimento: com a garantia de que o diretor (que é um amigo pessoal) preferiu a reencarnação estilístico-discursiva, ao invés do relato enciclopédico-biográfico. Aqui, o realizador paulista e seus filmes ganham nova vida, confirmam a imortalidade própria da Arte e assumem-se como prognósticos eficazes e ativos contra o destroçamento político da contemporaneidade brasileira. É um filme sobre resistência, de resistência e visado à resistência: somos embebidos pelo anarquismo do cineasta e impregnados pela beleza de suas obras (apresentadas fora de qualquer cronologia, mas acompanhadas por uma voz encaminhadora em defesa da Utopia enquanto vanguarda e vida). Em tese, é um filme direcionado mais aos fãs que aos que ainda conhecem pouco sobre a filmografia reichenbachiana, mas ambos os grupos serão contaminados pelo fervor desejoso aqui contido. A dramaturgia do tesão que nosso Carlão propôs segue em curso, através da maravilhosa arqueologia imagética de meu amigo sergipano, que dá mais um passo em sua carreira de curta-metragista com este filme de montagem acima da média. Ressalto isso porque eu próprio ainda confesso um preconceito quanto a este subgênero documental - mas, ao enfrentá-lo, gozei. Senti também alguma melancolia, mas gozei. Pois é um filme sobre seguir em frente, acreditar e fazer! (WPC>)