Bora, um Romani (etnia cigana) comprador de penas, vive na cidade de Sombor, e divide o território onde faz negócios com seu rival, Mirta. Bora é casado e tem filhos, mas passa seu tempo livre bebendo, jogando, e dormindo com outras mulheres. Mas Bora também está apaixonado por Tisa, a enteada de seu rival, Mirta, e está disposto a fazer de tudo para se casar com ela.
Indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro de filme estrangeiro e à Palma de Ouro em Cannes, vencedor do Prêmio do Júri e do Prêmio da Crítica no mesmo festival.
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Produção iugoslava em cores indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro - o vencedor do ano foi o tcheco Trens estreitamente vigiados (67); no Globo de Ouro, foi nomeado a melhor filme em língua estrangeira; no Festival de Cinema de Cannes, foi indicado a mais 3 categorias: Palma de Ouro de melhor filme, e vencendo os de Grande Prêmio do Júri - Juntamente com Estranho acidente (67) - e o Prêmio FIPRESCI.
Também conhecido como "Ainda existem ciganos felizes", este drama foi considerado um dos melhores filmes da "onda negra" do cinema iugoslavo. Em 1996, os membros do Conselho Iugoslavo da Academia de Arte e Ciência Cinematográfica (AFUN) votaram neste filme como o 2° melhor filme sérvio no período de 1947-1995. No filme Vida cigana (88), várias cenas e motivos foram retirados deste filme em homenagem a Aleksandar Petrovic (1929-1994).
Obra estrondosa que marca o regresso da cinematografia iugoslava à cena internacional e aponta para um realizador surpreendente de paixão e maestria, infelizmente pouco prolífico. O filme cobre a liberdade objetiva do povo cigano de uma maneira muito honesta e transparente. Cheio de metáforas e elipses, exibe vidas brutais que essas pessoas estão vivendo à beira da sociedade comunista, mas aparentemente sem a pressão dos limites cotidianos que o resto das pessoas conhece.
Reconheço a importância histórica da obra, tanto no contexto de quando foi lançado, como nos dias de hoje. Mas o roteiro não é agradável, é algo bruto, o que acaba tornando o filme muito cansativo. Nota 6,0.
O título inglês "I Even Met Happy Gypsies" dá a impressão de que se trata de algo diferente do que é. O título original adequa-se melhor, porque Skupljači perja é um retrato cru e pouco sentimental da vida quotidiana do campo na Sérvia, onde encontramos Bora, que ganha a vida a comprar e vender penas de ganso, além de beber, jogar e espancar mulheres e depois bebe mais um pouco. Um homem rude, pouco simpático e nada agradável, o retrato dos ciganos? não sei dizer, mas naquela época meus pais viviam a me dizer que fugisse dos ciganos, dado que seriam pessoas não confiáveis; não nos esqueçamos que estamos em 1967. O filme se propõe a retratar o anti cigano na Sérvia, mas dando um retrato realista bastante decente da paisagem rural sérvia nos anos 60, bem, então eu diria que Aleksandar Petrović fez pelo menos um bom esforço. E há que acrescentar que quase nenhum grupo na sociedade é melhor ou pior do que qualquer outro em Skupljači perja. Entendemos por ciganos um grupo de pessoas que são nômades, divididos em clãs que perambulavam pela Europa. Os ciganos estão longe de constituir um povo único e homogêneo, e são divididos em várias etnias e se assim o são a disputa parece ser uma norma. Repetidamente as cenas mais emotivas são encurtadas, como se Petrović não quisesse que nos entregássemos mais do que o necessário a este filme. O que foi ao mesmo tempo refrescante e frustrante. Tal como lhe acrescentou a sensação de um documentário. Desde a forma como é filmado até às pessoas que na realidade falam na sua maioria romanichel e não sérvio. Mas no final é difícil gostar mais de um filme do que das suas personagens, e Bora é difícil de gostar. No entanto, há algo de interessante nele, e é realmente algo de interessante neste filme. Temos uma tendência a rejeitar o diferente, e o mundo é diferente; estamos, constantemente a procurar os iguais e, ao meu sentir, deveríamos procurar os diferentes...é um filme intrigante...talvez aja armadilhas que eu não dei conta de perceber, mas enfim os filmes também servem a isso, um registro histórico, para além de uma visão particular de seu criador...
Tenho uma relação ambígua com esses filmes de ciganos da Sérvia - ou, no caso, da finada Iugoslávia. Nem sempre acho bons. Um dos filmes mais badalados de Emir Kusturica, "vida Cigana" (1988), a meu ver é só legalzinho. "Gato Preto e Gato Branco", do mesmo diretor, é melhor, embora nada de genial.
Fui ver "Os Compradores de Penas" porque já conhecia o outro filme de Aleksandar Petrovic indicado ao Oscar, "Tri" (1965), e tinha gostado. Mas infelizmente, nesse aqui - que é mais conhecido e cultuado - não vi muita graça não. Tem lá seus momentos e a atriz que faz a cantora é boa. Mas é muito pouco pra segurar meu interesse e a impressão geral é que, tal qual "Vida Cigana", às vezes o filme se apoia basicamente em achar que colocar a 'super exótica' cultura dos ciganos nas telas vai por si só segurar a onda. Claro que não vai e a história tem que cativar.
Se tivesse ido mais a fundo na história da rivalidade dos personagens e nos 'ataques' de um deles à jovenzinha, talvez tivesse sido mais cativante. Do jeito que ficou, sobra o interesse de ver bizarrices como as cenas no meio de forragens de penas brancas e mais nada. Ainda estou pra ver um filme realmente bom com esse tema.
Ah e só mais uma coisa
aquela criança no final fumou de verdade né?