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Duração
Na periferia de Contagem no Nacional, Fael da A.P.N. carrega kits JUMBO até familiares de amigos encarcerados. No caminho, reencontra vozes, memórias e companheiros que compartilham suas vivências, dores e estratégias diante do sistema prisional. Entrelaçando a vida pessoal do protagonista com áudios enviados aos amigos presos, o filme constrói um retrato íntimo e coletivo das marcas do cárcere e das redes de cuidado que resistem ao abandono. Gerações da quebrada se encontram pra refletir.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Um filme até difícil de ser avaliado, pois trata-se de uma experiência de intervenção na práxis, que requer muito mais que arcabouço cinematográfico para imersão, mas um exercício pleno de empatia e compreensão da necessidade de defesa (e exigência) dos direitos dos outros (e, por extensão, de nós mesmos enquanto indivíduos irmanados). Assim que eu li a sinopse e vi o cartaz, intuí que ele seria o vencedor da Mostra Tiradentes, o que não foi injusto ou equivocado, ainda que não seja o título favorito na seção da qual participou. E isto é menos relevante, pois é um trabalho que eleva à enésima potência a pergunta temática do ano anterior, "Que Cinema é Esse?". Não conhecia os curtas-metragens prévios dos realizadores (e tenho a obrigação emergencial de conferi-los), o que fez com que demorasse um pouco para compreender o que estava em exposição, em termos do projeto continuado e pragmático de apoio aos encarcerados. Há relatos violentos, enquanto introdução contextual (a menção aos presos aidéticos que estupravam carcereiros, durante uma rebelião, por exemplo), mas isto logo cederá espaço emocional a algo muito mais potente e assertivo, que é o longo segmento "Dia de Visita", em que amigos cantam, fumam maconha e exibem aquilo que lhes agradam, à guisa de estímulo compartilhado à felicidade e à esperança, numa conjuntura de dolorosa ausência. Em termos de execução, este segmento lembra o clímax afetivo do filme sul-coreano EM CHAMAS, no modo como a atmosfera crepuscular não impede a entrada de uma luz fortíssima, que chega a cegar, seja em âmbito literal, imagético, quanto simbólico. Daí para a frente, é impossível libertar-se daquelas imagens e sons crus, eventualmente desafinados, mas eminentemente sinceros. Não sei como categorizar este filme, insisto, justamente porque ele nos obriga a repensar nossas pretensas certezas artísticas, nossos cânones falidos, nossos parâmetros julgamentais viciados... Pessoalmente, por eu ser morador de periferia suburbana com associação à criminalidade "simpática", discordei de algumas opções discursivas (a reiteração da necessidade de liberdade e das criticas genéricas ao "sistema", ignorando o quociente de responsabilidade ou culpa dos detentos, bem como a celebração quase canonizada de uma planta de maconha), mas estas são opções do eu-lírico dos retratados, de modo que os diretores foram absolutamente respeitosos na manutenção do que eles desejavam compartilhar. Filme de guerrilha, de ação, de transformação, de emoção, de cinema social, de vida que pulsa e requer união e co-presença. Todos os méritos para o que esta obra singular provoca em nós, portanto! (WPC>)