"Para Vigo Me Voy!" é um documentário que mergulha na obra de Carlos Diegues, cineasta que retratou a história e o espírito do Brasil desde 1961. O longa navega entre os filmes dele e sua trajetória pessoal. Trechos das obras são intercalados com entrevistas do diretor ao longo de 60 anos. Acompanhamos a evolução de seu cinema e de seu discurso, costurando esse diálogo com imagens inéditas da última filmagem de Diegues em "Deus Ainda É Brasileiro", uma sessão de "Bye Bye Brasil" na Favela do Vidigal, com a presença dele, e um grande encontro de Carlos Diegues com artistas que foram companheiros de jornada.
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Um dos fundadores do Cinema Novo, o diretor Carlos Diegues tem no currículo o memorável Bye Bye Brasil, sucessos de público como Xica da Silva e o videoclipe Exército de Um Homem Só, da banda Engenheiros do Hawaii (antes da chamada “retomada do cinema brasileiro”, os cineastas se viravam como podiam). Nesse sentido, Para Vigo me Voy, documentário dirigido por Lírio Ferreira (Sangue Azul) e Karen Harley (Lixo Extraordinário), trata-se de uma celebração não só da obra de Cacá Diegues, mas também do próprio do cinema nacional.
Em meio às muitas passagens dos filmes do diretor, são diversas as entrevistas do próprio Diegues pelos anos, desde a mocidade em divulgações das primeiras obras na Década de 60, passando por momentos mais recentes quando, idoso, levar uma queda é motivo de sobressalto em toda a plateia do cinema. Nas conversas que vemos, rejeita-se a ideia das cabeças falantes ou letreiros explicativos, o que, de certa forma, traz mais fluidez para o documentário sobre a trajetória do personagem.
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Amo vários filmes do diretor alagoano, mas, antes da sessão, por algum motivo, tinha mais em mente alguns dissabores recentes e decepções quanto a algumas de suas últimas obras (detalhe: sou um dos poucos apreciadores de O GRANDE CIRCO MÍSTICO, achei ótimo quando vi!), de modo que isso contribuiu para que eu ficasse mais emocionado, durante a sessão, ao reencontrar imagens de clássicos como A GRANDE CIDADE e OS HERDEIROS, que amo. Cacá Diegues e é, sim, merecedor de um documentário de extrema reverência como este, e gostei particularmente que a cronologia de sua trajetória enquanto diretor foi respeitada, de modo que pudemos acompanhar, retrospectivamente, avanços e alguns retrocessos estilísticos, obra após obra, com vários pontos altos e inúmeras necessidades de revisões (GANGA ZUMBA e QUILOMBO à frente. Os depoimentos são ótimos, as falas de juventude do biografado são muito contundentes e os realizadores deste documentário foram mui exitosos nos atributos do "filme de montagem", não limitando-se a esta estratégia, apenas, visto que eles estiveram com o Cacá por algum tempo, e registraram até mesmo uma queda doméstica, ao lado de seu neto. O uso das trilhas musicais dos filmes como condutor do percurso mnemônico foi algo particularmente excelente e, por razões pessoais, senti falta que VEJA ESTA CANÇÃO não fosse mais abordado, já que considero esta uma obra injustiçada, da qual gosto muitíssimo. Grata surpresa este documentário: esperava convencional, encontrei algo incitador e repleto de carinho legítimo pelo diretor falecido mas imortalizado através de suas produções! (WPC>)