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Baseado na vida do jogador Afonsinho, que foi proibido de jogar futebol por deixar crescer a barba e os cabelos e ter se recusado a cortá-los. Lutando por seus direitos, o jogador conseguiu tornar-se proprietário de seu passe, ou seja, conseguiu "passe livre". A partir deste incidente, o filme examina as relações de trabalho no futebol brasileiro.
Tem a participação de vários jogadores, técnicos, artistas, políticos e comentaristas de renome, como João Saldanha, Jairzinho, Amarildo, João Havelange, Zagalo, Rafael de Almeida Magalhães e outros. Gilberto Gil canta no filme "Meio-de-Campo", letra e música de sua autoria, dedicada a Afonsinho.
Passe livre foi rodado em 16 milímetros e foi o primeiro filme nesta bitola a obter certificado de censura para circuito comercial de longa metragem. Lançado na Associação Brasileira de Imprensa-ABI no Rio de Janeiro, na Cinemateca do MAM - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e MIS - Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, por iniciativa da Federação de Cine Clubes do Brasil, inaugurou uma primeira e pioneira tentativa de criação de um circuito alternativo de cinema que desembocou na DINA de São Paulo. Logo em seguida percorreu fábricas, cine-clubes e igrejas por todo o país, em pleno governo do general Médici, promovendo debates sempre com a presença de figuras de destaque como o próprio João Saldanha, Sandro Moreira, Jean Claude Bernadet e outros.
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Muito bom.
Além de tratar com muita propriedade sobre este problema legal de 40 anos atrás, também traça um paralelo da imensurável paixão que o brasileiro tem por este esporte, seja no sonho de qualquer criança em se tornar um jogador profissional ou pelo próprio fanatismo de torcedores que vêem no futebol uma fuga de sua triste realidade, trazendo à tona o jeito em que grandes máfias se organizam através disso; desde a setorização até a construção de estádios (isso te lembra alguma coisa?), ou através de suas influências e poderes.
Dá nojo, até porque é algo contemporâneo. As leis podem ter mudado um pouco, mas o interesses e objetivos (de uma forma geral) de quem está por trás continuam os mesmos, bem como a desunião da classe futebolística. Faltam mais jogadores como Afonsinho e Sócrates. Jogadores que pensavam, sabiam de sua importância social e que lutavam por seus direitos sem deixarem ser comprados ou coagidos.
O documentário também nos permite ter uma noção a respeito da integridade de algumas pessoas, como João Havelange (que sempre foi um filho da puta) e o Zagallo (que sempre foi um fantoche).
Recomendo.
Obs: a vida do Almir Pernambuquinho daria um belo filme.
A partir da proposta de narrar uma arbitrariedade dos dirigentes de futebol do Botafogo do Rio de Janeiro, contra o jogador Afonsinho, Caldeira busca traçar sua crítica sobre o universo futebolístico. É interessante a maneira com que começa o documentário, fazendo uma análise social do significado de "jogar futebol" para as crianças e jovens. Na sequência, Caldeira mostra que todo o processo é orquestrado por um grupo de dirigentes que não tem interesse em flexibilizar as relações de trabalho com os jogadores, pois o modelo "do passe" lhes é satisfatório. Daí o documentário ganha mais força, pois Afonsinho surge como um vanguardista, um paladino contra as injustiças dos dirigentes de futebol. No entanto, Caldeira nos mostra que não basta lutar por algo justo, é necessário lutar contra um sistema. Nesse sentido, o documentário verticaliza em sua análise ao mostrar a importância do futebol para a sociedade, mas o quão isso é manipulado pelos dirigentes. Também, a necessidade destes manterem modelos trabalhistas que se igualam ao escravagismo. Subsidiariamente, Caldeira provoca o espectador ao reduzir a paixão do torcedor ao interesse de grupos econômicos. O "rebelde" Afonsinho acaba sendo um grande exemplo "do que é e do que deveria ser" o futebol brasileiro. Algumas coisas mudaram na legislação brasileira, mas a crítica final de Caldeira sobre os aspectos econômicos envolvidos no futebol está mais atual do que nunca.