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Data de lançamento
22 Junho 2024Duração
O documentário mostra como tem sido o cotidiano de Paulo e Eliana, dois pacientes que passaram maior parte da vida no Hospital das Clínicas, porque foram vítimas do surto de poliomielite nos anos 1970, parte de um grupo de 20 pessoas com a mesma condição. Investiga os olhares dos dois sobre a própria existência, a relação de amizade entre eles, a vida que levam no hospital e as pequenas mudanças que conseguem fazer em suas vidas. Traz também uma profunda reflexão sobre a vida nos hospitais e como se desenvolvem as pessoas com alguma deficiência.
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Rodado ao longo de 13 anos (2008–2021), o documentário “Paulo e Eliana” revela com rara sensibilidade o cotidiano de dois sobreviventes do surto de poliomielite que atingiu São Paulo nos anos de 1960. Paulo Henrique Machado e Eliana Zagui faziam parte de um grupo de 20 pacientes infantis internados no Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo afetados pela pólio. Tetraplégicos, eles foram os únicos que resistiram à doença, vivendo para sempre em uma cama em um mesmo quarto no HC, dependentes de respiradores artificiais. Paulo e Eliana desenvolveram forte vínculo de amizade e transformaram essa condição em matéria de reflexão sobre resistência e desejo de viver. O filme (lançado em 2024, pouquíssimo comentado, e que descobri por acaso na plataforma do Sesc Digital) acompanha a rotina da dupla inseparável, incluindo suas conquistas fora das paredes do hospital. Paulo tornou-se youtuber, criando um canal geek sobre cinema e música e que também compartilhava experiências no HC – mantendo-se ativo até sua morte em 2020, aos 51 anos; já Eliana, encontrou na arte e na escrita uma forma de expressão: pintava e escrevia com a boca, publicou livros, até que em 2019 deixou o hospital para se casar, mudando-se para a casa do marido em Sumaré, no interior paulista. Mesmo diante da dificuldade de locomoção conseguiram viajar, frequentar shows musicais e experimentar pequenas vitórias. O longa acompanha a vida hospitalar como espaço de formação, mostrando a amizade de Paulo e Eliana como uma relação de cumplicidade em um lugar marcado por dependência e isolamento. Em frente às câmeras, mostram como são: sonhadores, brincalhões, criativos e generosos. É uma história de amor pela vida, que emociona os mais sensíveis, e serve como convite à reflexão sobre inclusão e sobrevivência. Lançado em 2024, foi produzido pela Canal Aberto e 11: Onze Filmes, com direção de Neide Duarte e Caue Angeli. Está disponível gratuitamente na plataforma do Sesc Digital.
POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom