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Há uma hipótese de que o mundo onde vivem Élvio e Eric, esteja com os dias contados. Suspeita-se de que tudo ao redor do apartamento onde a dupla vive, confinada numa relação de dependência, desconfiança e repulsa, esteja destruído. Mas, quando um olho mecânico rasga o chão do lar, sem explicação aparente, uma transformação se instaura nos personagens.
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Sem dúvida, o tresloucado ponto de partida (dois homens que se odeiam, em constante clima de tensão, "mudam" a partir do momento que surge um periscópio em um dos cômodos da casa) e os monólogos dos dois protagonistas, chamam a atenção e agregam valor ao filme. O primeiro ato é mais atrativo, com a apresentação das tensões latentes e manifestas entre os dois, ao passo que daí por diante, a trama se torna mais imagética e enigmática. Vale a conferida.
É daqueles filmes confusos que, mesmo assim, sob certa medida, nos fazem pensar. E isso já é muita coisa, se levarmos em consideração o que nosso cinema anda produzindo atualmente!
Primeira coisa que pensei depois que o filme acabou: preciso assistir de novo. Periscópio é o tipo de filme que você não entende, creio eu que essa é a intenção. O lado bom do enredo nada óbvio é a gama de significados que podemos dar para ele, fazendo assim com que pensemos e prestemos mais atenção aos detalhes do filme. O uso predominante do vermelho fez com que eu me questionasse durante todo o filme o por que dessa cor, e confesso que esse questionamento martela na minha cabeça mesmo após dois dias de visto. Um grande filme para uma grande aula de semiologia!
Além de ser um projeto com ampla carga experimental, o filme também serve para testar os limites e a profundidade de um ator, pois passado inteiramente dentro de um apartamento e com apenas dois personagens; Perisópio torna-se aqui o cenário perfeito para extrair excelentes atuações, o que João Miguel e Jean Claude Bernardet consegue graças ao talento de ambos.
Incidindo entre o surrealismo e a teatralidade, Kiko Goifman não dá margem para interpretações fáceis. Mesmo que alguns signos apresentados permitem algumas associações, é o ininteligível que fica mais evidente, como um todo, ao menos foi para mim.
Fiquei confuso quanto a relação dos dois personagens e até quanto ao local onde eles realmente estavam vivendo, mas acredito que Periscópio tenha sido feito mais para ser uma experiência provocante do que para qualquer outro feito, o que pode causar desagrado na maioria das pessoas. Ao menos aqui Kiko Goifman foi mais feliz em suas provocações do que em Filmefobia por exemplo.
Como vocês assistiram esse filme?
tem pra baixar? :p