Os diretores percorrem o mundo em busca de depoimentos sobre o revolucionário argentino Che Guevara. Do rebelde que vive em Hong Kong e luta contra o crescimento do país ao neo-nazista da Alemanha que prega a revolução, passando pelo cubano que odeia Fidel Castro, os depoimentos mostram que o símbolo histórico do revolucionário sobrevive até hoje. Mas, como todo símbolo, cada um o percebe de uma forma, muitas vezes de maneiras bastante contraditórias.
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O trabalho feito no poster já diz muito sobre o documentário.
Para cada pessoa existe um Che de estimação.
A capa é ótima ao retratar distintas facetas, atribuídas à uma mesma personalidade, uma abordagem constante no filme. Curioso notar que os documentaristas procuraram tirar alguns entrevistados de sua zona de conforto, por vezes, promovendo conflito / reflexão. Ocorrem situações de interposição explícita da direção sobre conhecimentos / conceitos. Algumas vezes, me senti incomodado, dada a ideia de verticalização do saber, mas entendo que seja um objetivo dialogar com o entrevistado para verificar suas reações. Além das discussões mais nítidas, considero o filme interessante para se pensar design, intervenção urbana e construção de marca.
Excelente documentário,principalmente,pela sua intenção,que diferente da maioria dos documentários sobre Che, que visa explorar a pessoa,esse busca investigar o mito por trás do homem.
É muito interessante ver como uma mesma pessoa pode gerar diferentes interpretações,em diferentes lugares do planeta,assim percebemos que poderiam ser outros personagens a ser tema desse documentário,personagens que despertem as mais variadas interpretações.
As melhores partes foram as pessoas rezando para Che e achando que ele tinha um livro magico.Uma interpretação completamente diferente da habitual.
Dentre todas as interpretações, fico com uma não citada no filme, que é a de Caetano: "El nombre del hombre es pueblo".
Esse documentário explodiu minha cabeça. Não por falar dos vários mitos de Che, eu já sabia que ele era um personagem histórico interessante nesse aspecto, mas por me fazer pensar no aspecto pós-moderno que a história toma nos nossos dias.
Estamos numa época em que as interpretações e a simbologia, e a construção de uma metáfora muitas vezes se sobrepõe aos fatos em si.. Quem usa a imagem de Guevara no peito não concorda necessariamente com os ideais dele durante a guerrilha, e sim com a imagem de oposição e resistência.
Eu faço história, e agora estou mais perdido que nunca.. afinal, como é dito em Her, "o passado é só uma história que contamos a nós mesmos"? Os fatos históricos, que aconteceram, nunca mais podem ser analisados sem interferências externas por quem não estava presente no momento em que ocorreram? Qual é o objeto de estudo da história afinal de contas, os fatos ou as diversas interpretações que existem sobre eles?