Personal Problems é provavelmente o melhor filme do Cassavetes que não foi feito por ele, mas claro, este nem poderia o ter feito. A vivência que Ishmael Reed traz para o roteiro deste filme, muito pessoal como o próprio título o atesta, é inerente à situação de um indivíduo que nasceu e cresceu numa comunidade afro-americana como a aqui retratada. A situação feminina é dissecada pelo enredo com uma sutileza e atenção raras no cinema afro-americano dos anos 70, trazendo uma oposição aos tipo caricaturais comuns no blaxploitation. A protagonista interpretada pela antropóloga Vertamae Grosvenor é surpreendente em sua representação de vida comum, e suas interações com outras mulheres tem algo de extremamente verdadeiro e cativante, algo que só é realçado pela câmera de Bill Gunn, responsável por nos aproximar mais ainda daquele universo. O fato do filme ter sido completamente capturado em vídeo, alias, cria uma espécie de ambientação ainda maior com o público de hoje com a realidade da década de 70, e talvez tenha sido até mesmo um recurso proposital de Gunn. Afinal, gravar em vídeo era não só menos caro, como também mais moderno e casual, completando o ar de filme caseiro que a obra possui, mas claro,com uma complexidade narrativa e psicológica muito maior do que qualquer filmagem amadora poderia ter. Esta é uma daquelas pequenas jóias ocultas que só estão esperando para serem descobertas pelo público, e se este nos últimos anos têm ressuscitado a obra de Oscar Micheaux e Charles Burnett, agora é a hora de fazer o mesmo com Bill Gunn.
Personal Problems é provavelmente o melhor filme do Cassavetes que não foi feito por ele, mas claro, este nem poderia o ter feito. A vivência que Ishmael Reed traz para o roteiro deste filme, muito pessoal como o próprio título o atesta, é inerente à situação de um indivíduo que nasceu e cresceu numa comunidade afro-americana como a aqui retratada.
A situação feminina é dissecada pelo enredo com uma sutileza e atenção raras no cinema afro-americano dos anos 70, trazendo uma oposição aos tipo caricaturais comuns no blaxploitation. A protagonista interpretada pela antropóloga Vertamae Grosvenor é surpreendente em sua representação de vida comum, e suas interações com outras mulheres tem algo de extremamente verdadeiro e cativante, algo que só é realçado pela câmera de Bill Gunn, responsável por nos aproximar mais ainda daquele universo.
O fato do filme ter sido completamente capturado em vídeo, alias, cria uma espécie de ambientação ainda maior com o público de hoje com a realidade da década de 70, e talvez tenha sido até mesmo um recurso proposital de Gunn. Afinal, gravar em vídeo era não só menos caro, como também mais moderno e casual, completando o ar de filme caseiro que a obra possui, mas claro,com uma complexidade narrativa e psicológica muito maior do que qualquer filmagem amadora poderia ter.
Esta é uma daquelas pequenas jóias ocultas que só estão esperando para serem descobertas pelo público, e se este nos últimos anos têm ressuscitado a obra de Oscar Micheaux e Charles Burnett, agora é a hora de fazer o mesmo com Bill Gunn.