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o conceito todo parece um pouco um pretexto pra criar cenas lindas né? o foco mesmo é na independência e golpe no congo, enquanto a visita do louis armstrong e cia, apesar de interessante, é algo meio periférico. mas que cenas lindas. absolutamente tudo é justificado pela sequência que sincroniza o discurso do lumumba com o art blakey batendo pra caralho, momento de tirar o planeta de órbita.
fico fascinado por essas imagens da dissolução do mundo em pixels. lembrei da segunda parte d'a besta do bertrand bonello, e a porosidade da fronteira que separa as ameaças da vida real das da vida virtual. lembrei do trabalho da jane schoenbrun, se apropriando de todo tipo de mídia pra produzir um cinema que confronta a nossa obsessão por telas. lembrei de demonlover, de kimi, de no home movie. é uma história sobre tecnologia falando de coisas que eu não conheço muito (as pessoas são tão jovens), então nem sei avaliar se isso é autêntico ou cringe. mas é eletrizante o leilão de bitcoin. o final é meio explicadinho demais, mas seria mentira se eu dissesse que não estava desesperado por umas respostas.
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por nada! fiquei presa lendo suas avaliações por um bom tempo. acho mto massa esse espaço que a gente comenta sem esperar nada só pra registrar o que sentiu. parece q é um diariozinho público tipo um twitter só que menos narciso hahahaha
seus comentários são muito legais
dead pol 5 estrelas
faz mais de década que não assisto a um filme do jacques audiard, mas aqui ele parece um mau contador de histórias com ideias muito simplistas - ou idiotas mesmo - sobre transexualidade, méxico e tudo mais. mas acho que esses defeitos do autor são um pouco encobertos pelo fato de ele ter feito um musical. as duas atrizes no centro são muito boas e produzem coisas com olhar, música e corpo que ultrapassam o próprio roteiro do filme. os sentimentos são gritados e cantados e algo de puro e honesto se produz ali, mesmo que as grandes questões e os personagens sejam tão mal desenvolvidos pelo texto. é uma pena que o filme não invista mais no patético, ou no vigor e na falta de vergonha do elenco. ele insiste em se levar muito a sério a partir de certo ponto, com sequestros e explosões e denúncia social. fora que a trama depois da transição é tão desinteressante e não tem muito pra onde ir.
eu saí com uma pessoa ontem que, como boa brasileira, me falou que tudo que sabia sobre emilia pérez era contra a própria vontade. eu pensei que acho que vale a pena ver uma mulher trans articulando sua transição abertamente assim por meio de corpo e voz, mesmo que numa história totalmente equivocada. senti que isso transforma algo na gente, no nosso olhar e no mundo também. tem uma música no filme que fala algo do tipo. na hora achei bobo e cafona, mas talvez tenha algo nessa cafonice aí.