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Bons filmes!
Equipe Filmow
Saudações de Goiânia, Rodrigo. Abraços!
(:
Visceral!
Para quem não entendeu o final, minha leitura:
A última cena não significa que Veneno foi solto nem que Muñeco não foi castrado.
Ela funciona de maneira simbólica/subjetiva, quase como uma imagem mental. O diretor constrói o filme com lembranças, imagens subjetivas e momentos que não devem ser lidos necessariamente como continuidade cronológica literal. Inclusive há análises destacando que o filme abre e fecha com imagens semelhantes, transformando a estrada e o deserto em uma espécie de ciclo.
Minha leitura daquela última imagem é: Muñeco continua carregando Veneno consigo, mesmo separado dele. Não é “ah, Veneno escapou da prisão e voltou para o caminhão”. É a materialização do vínculo que ficou.
Isso combina perfeitamente com o arco dos dois. No começo, Muñeco diz basicamente: “não me meta em problemas”. No fim, ele sacrifica literalmente o próprio corpo para salvar o garoto.
E tem uma ironia brutal nisso: durante o filme inteiro, sexo, pênis, virilidade e masculinidade são usados como símbolos de poder naquele universo de caminhoneiros. Muñeco finalmente aceita seu afeto/desejo por Veneno justamente quando acaba sendo punido pela mutilação do órgão que simbolizava aquela masculinidade.
Por isso o final é tão cruel: Veneno permanece fisicamente inteiro, mas preso; Muñeco permanece livre, mas mutilado. Os dois se salvam parcialmente e, ao mesmo tempo, perdem a possibilidade de continuar juntos.
E aquela dança ao som de “Los Caminos de la Vida” pouco antes já anuncia tudo. O próprio David Pablos chamou a sequência de “baile da morte”, uma espécie de momento de paz antes da catástrofe.
Assim, o final é deliberadamente ambíguo, mas poético.