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Duração
Captura de planos gerais da antiga fazenda Pimenta, localizada em Indaiatuba, interior de São Paulo. O filme busca capturar uma visão íntima do espaço e da passagem do tempo.
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Antes da sessão, comentei com um dos co-diretores (que repassou-me o arquivo com o filme) que não um dos maiores admiradores do cinema estrutural, subgênero ao qual ele relacionara o filme. Para além das características elementares deste tipo de filme, a sinopse ora acostuma (em relação à qual não tive acesso antes da sessão) demonstra uma intenção mais explícita, quanto ao viés analítico da obra. Não há nada escrito na tela, contextualizando o título/cenário. Para quem nunca foi a Indaiatuba, por exemplo, a fazenda apresentada poderia ser uma senzala antiga, abandonada, e imaginamos os gritos de muitas pessoas maltratadas e exploradas naqueles ambientes. O filme, porém, joga com uma relação entre espaço físico criado pelo homem e a natureza circundante: as plantas insistem em brotar em meio aos tijolos e linhas de trem. Gostei muitíssimo de como o som direto aproveitou a importância e a beleza do canto dos pássaros e farfalhar das folhas. O céu alvo impressiona, inclusive pelo modo se movimenta. Somos testemunhas do tempo em ação, em curso. Mas algo incomodava-me, no que tange à impressão de que aqueles lugares foram palco de exploração do trabalho alheio. Até que um enorme trem corta a tela, numa seqüência que funciona como clímax. A despeito de um eventual mal-estar concernente ao meu problema com o subgênero (sinto falta de ver pessoas e, aqui, achei o projeto pouco discernível na prática da montagem), é um filme divertido de ser visto, é agradável assistir às nuvens que passam, enquanto marimbondos e pássaros eventualmente são captados pela tela. Não é um trabalho que me cative, como eu suspeitava, mas agrada em suas entrelinhas (exceto pelo que a minha imaginação histórica fez divagar quanto ao passado do lugar que eu não conhecia), de modo que, sim, não apenas eu parabenizo os diretores como agradeço à confiança depositada em nós, espectadores. E viva o cinema super alternativo produzido no Brasil! (WPC>)