O documentário traz entrevistas com a cantora Pitty, banda e sua equipe técnica sobre o processo criativo do álbum SETEVIDAS, e ainda nove das dez faixas do álbum.
Gravado ao vivo, com todos os instrumentos tocados simultaneamente, no Estúdio Madeira (SP), SETEVIDAS foi produzido por Rafael Ramos e mixado pelo inglês Tim Palmer, que já trabalhou com U2, mixou o clássico "Ten", do Pearl Jam, além de David Bowie, Robert Plant, Ozzy Osbourne e outros. E Ted Jensen, que tem no currículo Muse, Arcade Fire, Norah Jones e Paul MacCartney, foi o responsável pela masterização.
O resultado?
"Era a linguagem que queríamos" - explica Pitty.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
doc do meu álbum de estúdio favorito, só amor <3
Vi este documentário há algumas semanas pelo YouTube — nem sabia da existência dele antes. Muito foda!
Sou baiano e a Pitty teve um bom impacto na minha vida, mas não da forma mais "direta" e "normal" como com outros roqueiros baianos, imagino. Não tive contato instantâneo quando ela estourou com os dois primeiros álbuns, por vários motivos (criação religiosa; contato tardio com a música e com o rock; falta de acesso a CDs, rádios e programas de música; etc...). Porém, em algum momento eu tive contato com — naturalmente — os singles clássicos dela e daí ela teve algum impacto paralelo enquanto eu ia descobrindo o meu caminho pela música e pelo rock. Só que o primeiro álbum dela que realmente fui pegar inteiro, certinho, foi de fato o SETEVIDAS — e, puts, que surpresa! Em comparação aos trabalhos anteriores dela (especialmente o Chiaroscuro, que peguei todo pouco depois e que contém canções muito legais, mas não me agrada como um todo (além de ter aquela pavorosa "Me Adora")), de cara o álbum demonstra todo o amadurecimento da Pitty e da banda — musical, lírica e conceitualmente.
Toda a vibe de "tudo sendo feito ao vivo" foi bem transmitida para as músicas tocadas aqui no documentário. A banda toda está muito bem afinada e a Pitty, além de cantar muito bem, consegue interpretar de modo muito pessoal e verdadeiro as letras. E que letras, hein! De descrições de relações íntimas e sexo despudorado em "Um Leão" e "Pequena Morte" a uma crítica muito pertinente (e pessoal, segundo a explicação da Pitty!) à loucura ansiosa e "gulosa" da era moderna em "Boca Aberta", às tantas possibilidades de análises da crítica feita em "A Massa", aos explícitos louvores à transformação e ao amadurecimento em "SETEVIDAS" e "Serpente". Foi muito legal assistir aqui ao documentário, ouvir os depoimentos deles, e perceber como há todo um conceito ligando todas as canções do álbum de modo muito mais coeso do que eu havia percebido por mim mesmo. (Vou precisar depois ouvi-lo de novo para tentar fazer essa "jornada" do eu lírico do começo ao fim, passando por todo o processo de mudança e superação que a Pitty descreve.)
Também é muito legal ver todo o processo de composição em relação à parte instrumental (que é o que me interessa mais). Não sabia que a Pitty detinha tanto controle assim sobre isso e também que tocava tantos instrumentos! Muito bom ver a dinâmica dela com a banda, dando-lhes liberdade para trazerem as suas próprias personalidades às composições também, e muito bom ver o quão comprometidos todos são com os seus próprios instrumentos e com a identidade do grupo junto. Todos parecem ser excelentes instrumentistas e o Paulo Kishimoto foi uma adição sensacional! Uma das coisas que de cara me fizeram me apaixonar pelo álbum foram todos os instrumentos extras, que me fizeram ouvir o álbum muito atentamente, cada vez tentando sacar uma coisa nova (guitarra lap steel, diversos teclados e sintetizadores, muitas coisas de percussão... Inclusive é muito divertido vê-la toda empolgada com aqueles instrumentos adicionais todos, brincando com eles e criando no processo todas aquelas adições que vemos nas músicas). Igualmente foi muito legal ver como a "Olho Calmo" foi gerada. Senti muita, mas muita falta da minha música favorita não só do álbum, mas como da carreira toda da Pitty, "Lado de Lá", e de mais informações sobre ela, mas obviamente entendo o porquê. Houve ali uma pincelada nela quando a Pitty menciona "mortes literais e metafóricas" e também há a cena de ela improvisando ali aquela parte final absoluta e belamente épica da música (com ela jogando toda a alma no vocal e no piano enquanto a banda sustenta com uma base pesadíssima e onipresente) — ver pelo menos esse cadinho do processo de criação dessa obra-prima valeu muito a pena.
Os outros aspectos do documentário também dispensam comentários: os depoimentos todos, a fotografia "crua" e bem "de garagem", as cenas escolhidas...; é tudo muito foda. Este álbum é simplesmente um produto excelente do que há de melhor num tipo de rock amadurecido, reflexivo, melancólico e bem lapidado (o que não é para todos, pois não é comercial nem de digestão muito fácil a princípio). Ainda não escutei o disco mais recente dela, então não sei o que esperar dele (apesar de não ter gostado do direcionamento atual dela nas últimas músicas que ouvi no YouTube), mas espero fortemente que ela possa nos oferecer algo como o SETEVIDAS novamente no futuro — é onde ela se encontrou e o que de melhor já pude ouvir dela (pena que eu não tenha podido ir a nenhum show da turnê na época... :/). Deu até vontade de ouvir o álbum todo agora de novo. =P
Nota final: 8,5/10.
Muito foda, quem é fã morre do coração como eu morri. Mulher maravilhosa <3 <3