Porcupine Lake é uma história de bravura e a vida secreta das garotas do norte de Ontário durante um verão quente e nebuloso quando a idade adulta ainda não chegou, mas a infância desaparece rapidamente.
Um romance homossexual contextualizado numa trama de jovens atrizes, nada muito a flor da pele, falando mais dos primeiros sentimentos e de uma construção de relação e aceitação, surpreende pela abordagem, mas não desperta muita coisa, falta algo que envolva mesmo.
situações bem problemáticas, inclusive o "relacionamento" delas... não achei fofo ou legal, ficou forçado. não consegui sacar muita coisa da família de kate ou ao menos entender como ela funciona. 2 estrelas para a fotografia, fiquei encantada em alguns frames.
Achei muito difícil entender esse filme porque eram muitas coisas sendo apresentadas, mas todas de maneira superficial. Fiquei com a sensação de pontas soltas, questões mal resolvidas e mal faladas. Talvez, essa tenha sido a intenção ao representar um momento tão conturbado da nossa vida, em que tudo acontece tão rápido que quase não temos capacidade de reação. O desejo de querer voltar e mudar algumas coisas e a intensidade dos sentimentos que já nos preencheram por completo, são todas sensações sufocadas que esse filme me passou. Fiquei um tanto confusa.
como ele escancara, através da relação das duas meninas, o desenvolvimento psicossocial do adolescente em duas estruturas familiares opostas: a funcional e a disfuncional. De um lado, uma menina proveniente de uma família funcional (o que não quer dizer perfeita, visto que o filme inteiro traz o dilema da escolha entre o casal), do outro, uma menina pertencente a uma família totalmente disfuncional. A primeira, ainda ingênua, porém, com 13 anos de corpo e mente. A segunda, uma pessoa mais velha dentro dos moldes de alguém jovem. Bea tem como referência relacionamentos que se baseiam em amor, respeito, carinho e cuidado - algo reforçado pela cena em que o pai grita com a mãe e com a filha e, prontamente, a atitude é vista como um ato desprezível e desconexo àquele contexto. Já a Kate, com a mãe ausente e com a figura paterna inexistente, direciona todo seu afeto familiar pra figura de autoridade familiar mais próxima - seu irmão totalmente descompensado. A autoridade que ela reconhece é permeada em uma figura hostil, agressiva, violenta. E, por muitas vezes, essas atitudes são erroneamente confundidas pela Kate como força. A ingenuidade de Bea é desaprovada o tempo inteiro pela Kate, entretanto, vê-se como a educação de Bea se pauta em valores sólidos a partir do momento em que ela reconhece situações hostis e pede para se retirar delas. A Bea é, de fato, ingênua - algo bastante condizente com sua idade. Mas isso não quer dizer que ela não seja forte, como a Kate propõe. Ela aguentou calada toda a frustração de ter deixado a amiga pra traz pois levou a sério a promessa de não ser dedo-duro. Desse ponto da discussão, abro mais dois: 1) a cobrança, feita por Bea, da promessa que sua mãe a fez em relação a se separar do seu pai, pois ela havia sido quebrada. Com a frustração da promessa quebrada pela mãe, Bea se desespera ao perceber que o único vínculo que a mantinha naquele local fora rompido e reencontrar a Kate seria inviável, não fosse sua atitude de se lesionar. 2) mesmo a Bea mantendo a promessa de não ser dedo-duro, o que foi reconhecido como força pela Kate foi a sua atitude autolesiva. Pois é essa linguagem que ela entende. A da violência. O filme só poderia acabar melhor se a Kate fosse levada para um ambiente familiar mais harmônico. Porque ela ANSIAVA por isso. Aquela mala que ela carrega com ela é um pedido de socorro. É sua faceta "criança sonhadora" pedindo para sair dali. Mas essa faceta logo se desfaz quando a realidade se apresenta - ela irá continuar ali. Então, como mecanismo de defesa, ela diz que estava brincando e que também não poderia ir. Inclusive, daí se faz uma das minhas cenas preferidas do filme - a sonoplastia das batidas do coração quando as duas se abraçam.
Um romance homossexual contextualizado numa trama de jovens atrizes, nada muito a flor da pele, falando mais dos primeiros sentimentos e de uma construção de relação e aceitação, surpreende pela abordagem, mas não desperta muita coisa, falta algo que envolva mesmo.
situações bem problemáticas, inclusive o "relacionamento" delas... não achei fofo ou legal, ficou forçado. não consegui sacar muita coisa da família de kate ou ao menos entender como ela funciona. 2 estrelas para a fotografia, fiquei encantada em alguns frames.
Que filme lindo cara. É claro que lindo pro que pretende mostrar. O melhor é a relação das duas que não teve nada afirmado,confirmado, esteriotipado.
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Elas se gostam, é intenso e pronto. Não precisam afirmar nada. Foi o melhor do filme!
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Achei muito difícil entender esse filme porque eram muitas coisas sendo apresentadas, mas todas de maneira superficial. Fiquei com a sensação de pontas soltas, questões mal resolvidas e mal faladas. Talvez, essa tenha sido a intenção ao representar um momento tão conturbado da nossa vida, em que tudo acontece tão rápido que quase não temos capacidade de reação. O desejo de querer voltar e mudar algumas coisas e a intensidade dos sentimentos que já nos preencheram por completo, são todas sensações sufocadas que esse filme me passou. Fiquei um tanto confusa.
02/06/2020
Me fez voltar aos meus 14 anos. Aparentemente simples, com "enredo fraco", mas a força desse filme está em
como ele escancara, através da relação das duas meninas, o desenvolvimento psicossocial do adolescente em duas estruturas familiares opostas: a funcional e a disfuncional. De um lado, uma menina proveniente de uma família funcional (o que não quer dizer perfeita, visto que o filme inteiro traz o dilema da escolha entre o casal), do outro, uma menina pertencente a uma família totalmente disfuncional. A primeira, ainda ingênua, porém, com 13 anos de corpo e mente. A segunda, uma pessoa mais velha dentro dos moldes de alguém jovem. Bea tem como referência relacionamentos que se baseiam em amor, respeito, carinho e cuidado - algo reforçado pela cena em que o pai grita com a mãe e com a filha e, prontamente, a atitude é vista como um ato desprezível e desconexo àquele contexto. Já a Kate, com a mãe ausente e com a figura paterna inexistente, direciona todo seu afeto familiar pra figura de autoridade familiar mais próxima - seu irmão totalmente descompensado. A autoridade que ela reconhece é permeada em uma figura hostil, agressiva, violenta. E, por muitas vezes, essas atitudes são erroneamente confundidas pela Kate como força. A ingenuidade de Bea é desaprovada o tempo inteiro pela Kate, entretanto, vê-se como a educação de Bea se pauta em valores sólidos a partir do momento em que ela reconhece situações hostis e pede para se retirar delas. A Bea é, de fato, ingênua - algo bastante condizente com sua idade. Mas isso não quer dizer que ela não seja forte, como a Kate propõe. Ela aguentou calada toda a frustração de ter deixado a amiga pra traz pois levou a sério a promessa de não ser dedo-duro. Desse ponto da discussão, abro mais dois: 1) a cobrança, feita por Bea, da promessa que sua mãe a fez em relação a se separar do seu pai, pois ela havia sido quebrada. Com a frustração da promessa quebrada pela mãe, Bea se desespera ao perceber que o único vínculo que a mantinha naquele local fora rompido e reencontrar a Kate seria inviável, não fosse sua atitude de se lesionar. 2) mesmo a Bea mantendo a promessa de não ser dedo-duro, o que foi reconhecido como força pela Kate foi a sua atitude autolesiva. Pois é essa linguagem que ela entende. A da violência.
O filme só poderia acabar melhor se a Kate fosse levada para um ambiente familiar mais harmônico. Porque ela ANSIAVA por isso. Aquela mala que ela carrega com ela é um pedido de socorro. É sua faceta "criança sonhadora" pedindo para sair dali. Mas essa faceta logo se desfaz quando a realidade se apresenta - ela irá continuar ali. Então, como mecanismo de defesa, ela diz que estava brincando e que também não poderia ir. Inclusive, daí se faz uma das minhas cenas preferidas do filme - a sonoplastia das batidas do coração quando as duas se abraçam.