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Duração
Porta de Fogo é um filme de curta metragem sobre a morte trágica do capitão-guerrilheiro Carlos Lamarca e de seu companheiro Zequinha no sertão da Bahia, em setembro de 1971. À luz da literatura de cordel, o filme inventa um encontro entre Lamarca e Lampião na derradeira hora. São dois capitães, dois guerreiros de valor marcados de diferentes formas pelo ódio à opressão e pelo amor à liberdade, levados a uma senda inglória pela força de um carisma feito de sangue. Numa celebração entre guerreiros que voltam às suas hostes, o cangaceiro vem preparar o guerrilheiro em meio ao delírio que antecede o transe final. Quando o cerco se fecha sobre aquele homem - acossado, faminto, doente - o tempo detém seu curso. O sol se parte, a terra treme, o visível se nega e a última batalha então se trava, metáfora de transcendência: uma fenda se abre no céu, entre os dois mundos - Porta de Fogo. Inspirado no livro de Emiliano José e Oldack Miranda 'O Capitão da Guerrilha'
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como é bonita e trágica a filosofia do desertor, quanta potência houve em edgard navarro nessa captura fílmica da poética do traidor! a instauração revolucionária de uma mobilização de oposição, e a criação de um antagonismo de guerrilha... o termo "antagonismo" me serve apenas de expressão conotativa mesmo... qualquer conflito e resistência operado contra os regimes ditatoriais são sempre muito estimáveis. não são, portanto, apenas lutas binárias, mas uma necessidade diante de tortura e repressão estrutural; aqui os valores de justiça e liberdade proliferam no signo do herói popular, na figura do cangaceiro! sob o sol castigador do sertão da bahia, ergue-se um lampião de carne e osso, mas também um lampião-símbolo, essa figura-ideia é ainda mais potente na elevação dos valores de contracultura e desobediência que navarro tanto contribuiu e ofereceu aos anos 70; outra coisa: como é sensível a relação de carlos lamarca com a natureza da caatinga e com as linhas líricas e de saudades escritas no diário