мαяcos
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Últimas opiniões enviadas

мαяcos
3 semanas atrás

Gosto muito quando uma obra consegue incendiar e reavivar o meu ódio de classe. Em O Homem que Virou Suco, Deraldo, um poeta rebelde vindo do Norte diretamente ao inferno sudestino, inicia sua via-crúcis na grande metrópole. De subemprego em subemprego, o homem atravessa o implacável espremedor da burguesia e dos patrões, num retrato transbordante de crueza e realismo sobre a jornada do povo migrante do Nordeste brasileiro. É a existência de um indigente, sem documentos de identificação e constantemente chamado de "Paraíba", inclusive por colegas operários e paupérrimos que partilham da mesma condição precária e degradante, mas que já assimilaram a ideologia dominante e a xenofobia. Apesar do ambiente desonroso e insalubre da classe trabalhadora, o personagem surge como uma espécie de figura mítica, cuja resistência verte do poeta louco que se recusa a ser esmagado pelas botas da burguesia paulistana

мαяcos
1 mês atrás

Essa obra do Bruno Barreto é uma adaptação de grandíssima excelência! São marcantes as atuações viscerais, a ambientação de toda hostilidade devoradora da cidade, o sensacionalismo mesquinho dos jornais e o beijo homossexual que se torna um escândalo e a própria manchete, chocando mais do que a morte do rapaz atropelado, que transforma-se num evento secundário e esvaziado. O diretor conseguiu capturar a acidez rodrigueana, já que uma das características mais marcantes das peças de Nelson Rodrigues é a tentativa de desvelar as verdades inconfessadas das personagens e as dinâmicas entre dito e não-dito na fachada da sociedade brasileira. O Beijo no Asfalto é um pouco sobre essa obsessão voyeurista pelo outro e a heteronormatividade, que aparecem no dia-a-dia como uma espécie de inquisição moral, que no fundo parece revelar mais sobre as frustrações, fantasias e taras de quem acusa do que daquele acusado. O tal "pecado" de Arandir apenas faz aparecer em seu tribunal público uma horda de fascinados reprimidos, mesmo que, em última análise, tenha sido apenas um beijo de compaixão e fraternidade diante da morte

мαяcos
½
1 mês atrás

Não é um longa recheado de melodrama e eloquência como em outras obras mais aclamadas do Fassbinder, mas novamente podemos ver o brilhantismo do diretor colocando em cena personagens em eterno conflito com seus próprios desejos, em seus cotidianos atravessados por dilemas burgueses e sofrimentos da vida moderna. Hanna busca estabilidade no casamento e na vida doméstica, enquanto os rapazes procuram um meio de se livrar da vida assalariada daquela Alemanha massacrante do pós-guerra. O drama dos personagens e suas opressões inevitavelmente passam pelo triturador das instituições burguesas, seja o matrimônio, a família ou o dinheiro. É um retrato da alienação da juventude alemã da época diante de suas utopias vazias: a vida matrimonial e o empreendimento colonizador europeu no sul global. Apesar da atitude dos rapazes parecer como uma espécie de fuga existencial ou salvação pra uma chaga individual, no final das contas é também símbolo da perpetuação do modelo extrativista... Ah, e bem que eu estranhei o fato de 'Rio das Mortes' não ser um local no Peru, mas sim no Brasil... Mais um indício do profundo alheamento dos dois jovens e da grande qualidade e inventividade do Fassbinder em produzir sátiras políticas

  • Filmow 2 semanas atrás

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    Olá, cinéfilo!

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Oi, Marcos, obrigada por curtir minha lista de vilãs.

  • Alan Guimarães 9 meses atrás

    Olá, мαяcos, obrigado pelas curtidas das minhas listas de filmes sobre a História do Brasil e sobre Antropologia e espero que tenha gostado delas. Abraços.