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Duração
A língua que nasce da intersecção de culturas, é pretexto para falar da gênese da América Latina. Um filme de estrada que no trajeto não busca uma resposta, mas sim romper todas as possíveis certezas do que significa existir nas bordas de definições culturais.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Uma ótima amostra de nossas cidades fronteiriças, cultura e regiões tão peculiares mas distantes da maioria dos brasileiros. Thais Fernandes trás ao filme, além das percepções pessoais dos entrevistados sobre união, convivência e concepção de lugar/mundo, um grande tema importante que é a união e força que existem em uma América Latina unida e sem fronteiras. Um só povo, um só lugar, uma irmandade.
O documentário é maravilhoso e as nuances que se revelam, sutilezas, questões identiárias e, por vezes, indígenas fazem da obra ainda mais especial.
Honestamente (e isso é uma coisa minha), nestes tipos de documentários linguísticos eu sempre acabo ficando com o seguinte pensamento: "Poxa, deveriam ter explorado um pouco mais tal coisa, ou poderiam ter colocado aquilo lá também", e aqui não foi diferente.
Fiquei tão instigado por que explorassem as fronteiras mais ao norte e noroeste que, quando o final se aproximava, fui ficando angustiado.
Tenho consciência do trabalho a mais que essa "esticadinha" daria, mas não deixei de sentir falta.
Toda a arte demonstrando as fronteiras imaginárias só soma ao que é contado no filme, sendo interessantíssimo ouvir os pontos de vista dos moradores das diversas regiões e como para muitos deles essas regiões são de fusões culturais e não de divisão, sendo a divisão algo sem importância para a vivência do dia a dia, a fronteira com um significante quase vazio, confuso, ou com uma forte importância identitária, como o menino que quando perguntado sobre o que é a fronteira responde "sou eu".
Para mim os pontos altos foram as cenas que mostram a visão das crianças, as escolas e a faculdade. Também fica atravessado em mim as críticas sobre a resistência para aprender falar castelhano e guarani por parte dos brasileiros/falantes naturalizados em português, enquanto os naturalizados em línguas castelhanas ou guaranis aprendem a falar português. Além disso, o doc tem muitas frases lindas e filosóficas que servem para pensar em tantas outras fronteiras que são impostas para nos dividir de nossos diferentes, nossos iguais e nós mesmos.
Para quem se interessar o filme está disponível no MUBI. Fiz meu cadastro pra ter os 7 dias grátis justamente para assistir esse doc que me foi recomendado em uma aula.
Super interessante! Só fiquei com impressão que dava pra aproveitar mais os entrevistados se explorassem mais outros temas e histórias pessoais deles que não se ligassem diretamente com a fronteira no primeiro momento