"O novo filme de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. A visão do Estado mínimo; a venda de ativos públicos ao setor privado; o ônus decorrente das políticas de desestatização traduzidos em fatos e imagens que emocionam e se constituem em uma verdadeira aula sobre a história recente do Brasil. Assim é Privatizações: a Distopia do Capital. Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro.
Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirma Silvio Tendler.
Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que 'o processo de privatizações da década de 90 é a negação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos'."
Sinopse oficial do filme.
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Essencial documentário sobre como o país perdeu soberania a partir dos anos 90 com Fernandinho Collor e FHC no projeto hegemônico neoliberal.
Visto em 23.08.22. Essencial para todos nós vermos.
De novo e de novo e de novo, sempre as mesmas estratégias com os mesmos fins... me dá uma tristeza imensa assistir a esse documentário. De verdade. O que fizeram com todas as empresas é absolutamente bizarro, mas os casos da Vale e da Petrobras doem como se eu estivesse levando uma punhalada no peito!
Agora é a vez da CEDAE...
necessário retomar... Cinco anos depois. estamos revivendo de forma mais selvagem ainda...
Acho importante ilustrar as análises/discussões do doc com um trecho de um dos livros do filósofo Noam Chomsky que estou lendo:
“Analisando um quarto de século de experiências neoliberais, um estudo do Center For Economic and Policy Research mostra que elas se fizeram acompanhar de taxas muito mais baixas de crescimento e reduzido progresso dos indicadores sociais para países de todos os quintis, ricos e pobres. Essa tendência geral tem exceções: registraram-se altas taxas de crescimento em países que ignoraram as regras (com tremendas desigualdades e outros severos efeitos colaterais na China e índia). ‘O padrão global de crescimento é inequívoco’, conclui de sua detalhada análise o economista Robert Pollin: ‘A era neoliberal foi marcada por um nítido declínio do crescimento – a quase metade – relativamente ao período do Estado desenvolvimentista’ que a precedeu, tendência ‘ainda mais dramática’ quando considerada em termos per capita, com aumento da desigualdade ou pequena, ou nenhuma, redução da pobreza (quando se exclui a China) e devastadores efeitos colaterais entre os mais vulneráveis. [...] Esses fatos são às vezes obscurecidos pela observação de que as condições melhoraram em geral sob o regime neoliberal, como ocorre quase que invariavelmente ao longo do tempo em qualquer regime econômico ou quase se recorre a um conceito de ‘globalização’ que confunde orientação exportadora com neoliberalismo, de um modo tal que, se um bilhão de chineses experimenta um elevado crescimento sob políticas orientadas para a exportação que violam radicalmente os princípios neoliberais, o aumento das taxas de crescimento médio global é saudado como triunfo dos princípios violados.
[...] as reformas neoliberais são a antítese da promoção da democracia. Elas não são projetadas para reduzir o Estado, como se diz com frequência, mas para reforçar as instituições estatais, de tal maneira que sirvam ainda mais do que antes às necessidades das pessoas substantivas. Um tema dominante é a limitação da arena pública e a transferência das decisões para as mãos de tiranias privadas que não prestam contas a ninguém. Um dos métodos utilizados para isso é a privatização, que elimina o público da influência potencial na política. Uma de suas formas extremas é a privatização dos ‘serviços’, categoria que abrange praticamente tudo que diz respeito ao interesse público imediato: saúde, educação, abastecimento d’água, e assim por diante. Uma vez que estes sejam eliminados do âmbito público pela ‘comercialização dos serviços’, as práticas democráticas formais são amplamente reduzidas a um dispositivo de mobilização periódica do público em favor dos interesses da elite e da ‘crise da democracia’ substancialmente superada.”.
CHOMSKY, Noam. Estados Fracassados, p.242-243.