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Roberto Nield, escritor e humorista argentino, fugiu da ditadura militar e buscou refúgio na Colômbia. Reconhecido por sua arte, enfrentou prisão e exílio, buscando redenção em suas memórias.
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Há dois processos documentais em curso, aqui, quase em competição: de um lado, um filme que confia em seus caracteres estéticos, e serve-se de elementos fílmicos para manter o espectador fascinado (vide a abertura com a cruz, o uso da trilha musical um tanto ritualística, os aspectos evidenciados no cartaz); do outro, a apresentação de um personagem que é fascinante, mas que, por ser francamente desconhecido para nós brasileiros, por exemplo, talvez carecesse de maiores esclarecimentos cronológicos e biográficos. O filme fica no meio-termo, portanto: elabora algumas seqüências charmosas e fascinantes por si mesmas e, ao mesmo tempo, tenta devolver ao personagem real a confiança depositada e a crença de que ele tem muito a nos contar - e, de fato tem, mas nem sempre consegue, nesta obra. Achei insuficiente explicada a conversão religiosa do comediante e senti que não é bem inserida na obra toda aquela longa seqüência natalina, em que ele se veste de Papai Noel. Saúdo as boas intenções das passagens situadas numa creche e, nalgum momento, hei de pesquisar mais sobre Roberto Nield, mas, do modo como tive acesso ao filme (em meio à maratona competitiva de festival), ele não funcionou tanto. Mas gostei muito da entrega do diretor ao seu projeto. Vide a quantidade de familiares nos créditos finais e o próprio número de vezes em que seu nome é repetido ali. Viva o cinema independente, portanto: quem tem vontade, faz. Aplausos para isto! (WPC>)