Um tenente é coagido por seus camaradas militares a assassinar amigos considerados traidores da nação após um golpe de estado. Incapaz de trair a si mesmo, ele comete suicídio e, como tal, sua esposa fiel e voluntariamente submissa faz o mesmo, num ritual que em que não somente sangue jorra nas paredes, como também o mais belo sentimento já descrito por um artista.
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Bem impactante. O que dizer da cena do
harakiri?
Não compactuo com o ideário de Yukio Mishima, com suas tintas fascistas e idealizadas de um império, mas não há como negar que era um artista de extremo talento e apuro técnico em tudo que fazia, seja na literatura, teatro ou cinema. Nunca uma cena de seppuku foi tão realista e detalhista como essa, e ainda que extremamente explícita na violência do ato, também poética no contexto (a sinceridade está nas vísceras segundo os preceitos do bushidô, código samurai do qual Mishima era um apaixonado e fiel seguidor). Perturbador como o vemos encenar algo que faria depois na vida real. Um artista que acreditava realmente naquilo que escrevia.
Definindo em uma palavra: Entrega. A cultura japonesa feudal valorizou muito essa entrega da vida à fidelidade da honra e da cultivação dos princípios, a busca incessante pela perfeição, inclusive na hora da morte. Enquanto para nós, ocidentais, morte é morte, não importa como, na filosofia samurai existe a classificação de uma má e boa partida. Filme silencioso, mudo, apesar da ensurdecedora trilha sonora, que em 30 minutos, enfada. O único pecado do curta-metragem, fora isso, execução de primeira categoria. Falando em execução, o que foi aquela cena do Harakiri? De doer o estômago pelo nível de realidade. Poético, essa também poderia ser a definição em uma palavra.
Conflituoso, forte, hipnótico... Extremamente denso! É de uma linguagem poética soberba, todo o simbólico que paira sobre o amor e a morte, todos os rituais intensos que podemos realizar em vida.
O conflito irrompe e transcende a vida sem possibilidade de volta. Intenso...poético... Ritual de vida e ritual de morte...A alma, num ponto de vista ontológico, é barroca.