A ideia do realizador foi convidar pessoas a trocarem de casa com um desconhecido durante 24 horas. Cada participante, num total de três pares, recebeu uma câmera de vídeo para registrar uma hora de imagens da casa onde está hospedado. Elas são o único acesso que o espectador tem ao local. Ao fim da experiência, os participantes dizem como imaginam o dono da casa. Não se sabe se por orientação do realizador ou não, todos acabaram agindo como num jogo de detetives, procurando fios de cabelos em escovas e tirando conclusões a partir das roupas guardadas nos armários.
É curioso, talvez irônico, que venha a ser visto em aparelhos de televisão, sendo uma obra que fica muito próxima desse inesperado lugar onde as vanguardas audiovisuais se encontraram com a TV de massa: o reality show.
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- adorei a ideia! achei realmente genial! queria muito participar de um experimento assim
- bom demais poder entrar na casa dos outros e ver as coisas, descobrir quem é a pessoa só por onde ela mora
- interessante como cada um escolher filmar oque
A ideia eh boa mas ficou meio chato kkkkk ACHO q escolheram as pessoas erradas p gravar isso aí KKKKKKKKKKKKK
mulherzinha chata
A capacidade de exercer uma alteridade real não é fácil. Se por no lugar do outro é uma postura, mesmo que mais solidária, sujeita a parcialidade, julgamentos e qualificações em todos os campos possíveis. Neste projeto, simples, mas de resultados sociológicos interessantes, o diretor Caio Guimarães agrega pares de desconhecidos que trocam de residência por um dia e prestam seus depoimentos e impressões sobre a possível personalidade do habitante daquele imóvel. Essa empatia sensorial-visual/olfativa mostra exatamente esta dificuldade seja ela em menor ou maior nível. Possível também estabelecer um espelhamento entre os ocupantes que percebem suas próprias dificuldades na disposição do espaço de outra pessoa, apontando como algo que lhe é estranho quando estes, inconscientemente são praticantes do mesmo hábito ou possuidores do mesmo sentimento. Um atestado que revela a multiplicidade de valores que são prismados por cada um de acordo com seus princípios, conceitos e pré-conceitos.
O autor apresenta uma proposta interessante: seis pessoas, divididas duas em duas, tem a missão de passar 24 horas na casa da outra pessoa, munida de uma câmera, podendo filmar o que quiser. E no final das 24 horas, gravar um depoimento sobre a pessoa dona da casa.
A proposta, inicialmente básica e bem parecida com o programa de TV "Troca de família", na verdade disfarça um segundo objetivo do filme. As pessoas gostam de falar de si mesmos, e acabam construindo uma imagem que entendem ser a ideal. Uma máscara. Mas quando são colocadas para falar de outras pessoas, essa "via de mão dupla" do título se mostra. Revelam-se integral e genuinamente ao falarem e julgarem o próximo. Despreocupados de construirem uma auto imagem, e distraídos julgando outra pessoa, a máscara cai.
De qualquer forma, pelo amadorismo proposital das filmagens, e a preocupação em repassar a experiência ao espectador, o filme acaba se tornando bastante enfadonho.
A obra, entretanto, vale como experimento, principalmente se considerada dentro do aspecto de arte contemporânea.