Samson, um bochechudo garoto de 15 anos, e Delilah vivem em uma comunidade aborígene isolada no deserto da Austrália Central. Nas poucas casas dessa comunidade, tudo acontece em um ciclo. Dia vem, dia vai e nada muda, tudo permanece o mesmo e ninguém parece se importar com isso. Quando acontece uma tragédia, os dois adolescentes saem de casa e embarcam em uma jornada de sobrevivência, descobrindo em pouco tempo que a vida fora da comunidade pode ser cruel. Mesmo famintos e rejeitados, eles se apaixonam. Perdidos, indesejados pelo resto do mundo e sozinhos, eles descobrem que a vida nem sempre é justa, mas o amor nunca faz julgamentos.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Entre o silêncio e a sobrevivência, o afeto resiste onde a palavra falha.
Um filme diferenciado né? mostra como esse povo é excluído da sociedade...vi dia 06/12/21.
Gente pelo amor das deusas onde eu posso achar esse filme to procurando tem anos
O silêncio e a expressão dos protagonistas falam mais que palavras nesta bela e dolorida obra que disserta sobre a canibalização moral e cultural de um povo promovida pela própria sociedade que deveria protegê-la. Um filme para refletir.
No início do filme, assistimos à cena de um 'marchand' visitando uma reserva e pagando 200 dólares por cada uma das gravuras do rico figurativismo abstracto-cosmológico aborígene. Mais tarde, a jovem artista aborígene protagonista do filme é surpreendida (assim como nós) pela revenda de cada gravura pela 'bagatela' de 22.000,00 em galerias de arte da cidade. Esse é apenas um dentre os vários flagrantes do modo racista e exploratório com que a sociedade e o Estado australianos tratam suas comunidades originárias. Vemos ao longo de todo o filme, o retrato da indigência material, riscos de deterioração moral e cultural a que são expostos os protagonistas Samson & Delilah pelas mazelas da sociedade de consumo e pela ineficácia das políticas públicas. Nada muito diferente do que encontramos na relação da sociedade e Estado brasileiros com suas várias sociedades indígenas. Apesar disso, o filme não é uma mera denuncia pra suscitar nossa desolação e pessimismo quanto ao futuro dos povos originários, pois a possibilidade de emancipação e autonomia está na própria capacidade inventiva e de criação que lhes são inerentes. A propósito do título do filme, que nos remete à conhecida história bíblica de Sansão e Dalila, tem a ver com o autocorte do cabelo após a perda de um parente como expressão ritualística da condição social de enlutado do indivíduo perante a comunidade; o casal herói protagoniza esse ato repleto de simbolismo em dois momentos cruciais do filme por se tratar de um importante ritual em algumas comunidades aborígenes da região central da Austrália.