Dirigido por
Duração
No dia 6 de outubro de 1944, os integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça do Brasil desembarcaram no porto de Livorno, na Itália, para participar da 2ª Guerra Mundial, integrando o 350º Fighter Squadron. Faziam parte do grupo 466 pessoas: 49 pilotos e 417 homens de apoio. A saga do 1º Grupo é contada por seus próprios pilotos, veteranos do mais importante conflito bélico deste século, cujas ações foram de fundamental relevância para a garantia da vitória aliada na Europa.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Danilo Marques Moura foi um dos nomes mais emblemáticos da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Aviador da Força Aérea Brasileira, integrou o lendário 1º Grupo de Aviação de Caça, unidade que levou o Brasil ao combate direto no teatro europeu, durante a Campanha da Itália. Jovem, voluntário e extremamente determinado, Danilo representava bem o espírito dos pilotos brasileiros que, voando o robusto P-47 Thunderbolt, atacaram posições alemãs, linhas de suprimento, pontes e concentrações de tropas, ajudando de forma concreta o avanço aliado no norte da Itália.
O episódio que eternizou seu nome ocorreu em 4 de fevereiro de 1945, durante sua 11ª missão de combate. Naquele dia, Danilo participava de um ataque a alvos inimigos quando seu avião foi atingido pela artilharia antiaérea alemã. Com a aeronave seriamente danificada e sem possibilidade de retorno à base, ele foi obrigado a saltar de paraquedas em território controlado pelo inimigo. A queda não foi tranquila: Danilo sofreu ferimentos consideráveis, principalmente na boca e na língua, e caiu isolado, em uma região rural, completamente atrás das linhas alemãs.
Inicialmente, foi ajudado por civis italianos, camponeses que, mesmo correndo risco de morte caso fossem descobertos, o esconderam, alimentaram e prestaram os primeiros socorros. Em vez de aguardar um eventual resgate — algo extremamente improvável naquele contexto — Danilo tomou uma decisão ousada e arriscada: retornar por conta própria às linhas aliadas. Ferido, sem mapas confiáveis, vestindo roupas civis improvisadas e falando pouco italiano, iniciou uma longa jornada por estradas, vilas e campos ocupados pelo inimigo.
Durante cerca de três a quatro semanas, ele percorreu algo entre 340 e quase 400 quilômetros, muitas vezes caminhando à noite para evitar patrulhas alemãs, escondendo-se durante o dia e dependendo quase exclusivamente da solidariedade da população local. Em determinado momento, chegou a receber uma bicicleta, o que lhe permitiu avançar mais rápido — ironicamente passando por estradas onde soldados alemães também circulavam. O esforço extremo cobrou seu preço: Danilo perdeu cerca de 19 quilos, sofreu com fome, exaustão e infecções, mas jamais abandonou o objetivo de voltar ao seu grupo.
Contra todas as probabilidades, ele conseguiu alcançar Pisa, já em área controlada pelos Aliados, reaparecendo de forma quase lendária entre seus companheiros do 1º Grupo de Caça. Sua façanha se espalhou rapidamente entre brasileiros e aliados, tornando-se um dos relatos mais impressionantes de sobrevivência, coragem e perseverança da participação do Brasil na guerra — tão marcante que passou a ser reencenada simbolicamente na FAB na chamada “Ópera do Danilo”.
Após a guerra, Danilo Moura seguiu carreira como piloto civil, voando pela Panair do Brasil, e mais tarde afastou-se da aviação profissional, vivendo de forma discreta. Danilo Marques Moura faleceu em 14 de maio de 1990, no Rio de Janeiro, por causas naturais, deixando como legado não apenas um feito militar extraordinário, mas uma das histórias mais humanas e impressionantes da presença brasileira na Segunda Guerra Mundial.
O melhor trabalho de Erik de Castro! Conheci esse documentário há anos e sem querer o encontrei agora, nem lembrava. Sem dúvidas merecia mais notoriedade. Importantíssimo para quem gosta de História (especificamente na aba Segunda Guerra Mundial).
PS: Adolf Hitler no elenco (com 59 fãs até o momento no Filmow).
Esse doc mostra a Importante participação da honrada FAB. Cada história melhor que a outra. Verdadeiros heróis que tinham a missão de libertar o mundo do mal.
Esse documentário demonstra muito bem como o conhecimento empírico é insubstituível. Quaisquer histórias que se leia em livros, registros, até mesmo vídeos, não são capazes de fornecer a riqueza de detalhes que é experienciar alguma situação, tal como a guerra.
Ver filmes sobre soldados americanos, poloneses, alemães e nacionalidades a fora, é algo até comum, mas ouvir e ver esses relatos, de brasileiros, vindos de um país que estava ao mesmo tempo tão dentro da guerra quanto fora, é surreal.
É muito interessante notar como em meio a crueldade da guerra, coisas como a solidariedade, piedade e outras virtudes se ressaltam. Nós nunca enxergarmos os indivíduos que compõem os exércitos, sejam eles inimigos ou aliados, aliás, nós raramente enxergamos os indivíduos em geral, acho que é porque é tão mais fácil simplesmente embalarmos todos os estranhos à nossa realidade dentro das nossas concepções e pré-concepções, do que de fato tentar desvendar as suas personalidades e toda a jornada que possa os ter levado até ali.
Se enxergar dentro do olho daquele que nós somos treinados a encarar como inimigo é como um suspiro de consciência, é quando entendemos, nem que seja por um breve momento, que a despeito de todas essas diferenças, somos todos iguais.
Esses senhores foram corajosos e sobreviventes de uma guerra muito real e que deixou marcas para sempre em suas vidas. Eram jovens quando voltaram da guerra e também veteranos em suas experiencias. Outros jovens não voltaram e foram devidamente lembrados e honrados igualmente neste comovente documentário.
Caso puderem assistam, é recomendadíssimo!