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Duração
Rodado a quente com uma câmera Mini-DV, em 2018, sem grandes preparativos, mas com muito suor e cerveja, o filme se apresenta como uma sucessão de prólogos de um filme sempre por fazer. O que une todos é o desejo de pegar para si uma fatia do mundo.
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As diretoras conseguiram: em seu experimentalismo lisérgico, identitarista, circunloquial e sobejadamente iconoclasta, elas deglutem absolutamente tudo o que está ao seu alcance. A montagem é uma esculhambação de sons e imagens, em que performances variegadas são subpostas aos relatos reivindicantes de travestis maltratadas por quase todo mundo, inclusive pelos homossexuais masculinos, "as gays". Em feitura, lembra um pouco as produções da Belair ou do Jack Smith, mas o tempero é inquestionavelmente contemporâneo: uma 'bad trip' da estética instagraminiana, com muitos gritos, musicalidade, sorrisos e reclamações. As denúncias às vezes são nomeadas, noutros casos não. Tudo é apresentado de maneira gaiata e até mesmo "a voz do Google" é convertida em personagem. Ouvir os monólogos, nalguns momentos, é tarefa hercúlea; prestar atenção ao filme como um todo é uma submissão voluntária à tortura. Mas é óbvio esse tipo de reação encolerizada é justamente o que elas querem: ao assumirem a alcunha auto-concedida de revolucionárias (não sem algum mérito e muito sofrimento, admito), elas converteram-se nas vingadoras do pós-hipermoderno. Pessoalmente, achei detestável - mas, ao menos, gostei de vê-las sorrindo. Acredito na alegria, defendo o direito à mesma, para além de qualquer discordância amorfa. Sucesso para as Talavistas. Afinal, elas cumpriram exatamente o que prometeram. O mundo permanece igual após este filme?! (WPC>)