Caramba! A-do-rei este curta-metragem! Sou acostumado a prestigiar os trabalhos acadêmicos dos estudantes de Audiovisual da UFS e, na grande maioria das vezes, noto que os projetos são muito estudados em seu academicismo, visto que, afinal, trata-se do resultado de uma disciplina. Aqui, entretanto, percebi uma entrega corajosa e desafiadora em seu amadorismo, que é convertido em experimentalismo: os enquadramentos são "errados", fora do eixo, mas brilhantes em suas pulsões expressivas; o roteiro é assumidamente elíptico, incompleto, a fim de que preenchamos o que é contado com os nossos próprios traumas familiares; e a escolha de Lígia Borges como protagonista foi um toque de mestre, no sentido de que a sua atuação (bem como o comportamento de sua personagem) é explosivo mesmo em sua contenção. Fiquei muito impressionado com o modo como ela age em cena, o que é reforçado pela inteligência dos realizadores, que evocam a trilogia 'camp' do Paul Morrissey, no modo como sujeira e sublimidade convergem, em âmbito emcoional. Infelizmente, a interpretação de Raianny Ferreira vai num pólo oposto, sendo o elemento mais tímido, ponderado, excessivamente vigiado e/ou convencionalmente reprimido do filme. Não é uma participação ruim, mas erigida num tom distinto do que é trabalhado pelos demais partícipes da equipe: com exceção dela, em sua cautela técnica, é só tesão... Que direção de arte incrível! Que senso primoroso de referências pictóricas na introdução dos 'flashbacks', que baque emocional no coongelamento imagético do desfecho... Adorei, adorei, a-do-rei! Saí da sessão bastante entusiasmado, ainda que, mais uma vez, eu tenha visto o curta-metragem numa cópia ainda carente de ajustes na montagem de som, principalmente: gostei muitíssimo do que o filme me causou, atiçou, despertou e estimulou. A equipe não priorizou "notas boas" (não obstante merecê-las), mas sim o fervor expressivo, o acerto de contas com os passados por detrás de todos os embates relacionais. Parabéns de pé aos envolvidos! (WPC>)
Caramba! A-do-rei este curta-metragem! Sou acostumado a prestigiar os trabalhos acadêmicos dos estudantes de Audiovisual da UFS e, na grande maioria das vezes, noto que os projetos são muito estudados em seu academicismo, visto que, afinal, trata-se do resultado de uma disciplina. Aqui, entretanto, percebi uma entrega corajosa e desafiadora em seu amadorismo, que é convertido em experimentalismo: os enquadramentos são "errados", fora do eixo, mas brilhantes em suas pulsões expressivas; o roteiro é assumidamente elíptico, incompleto, a fim de que preenchamos o que é contado com os nossos próprios traumas familiares; e a escolha de Lígia Borges como protagonista foi um toque de mestre, no sentido de que a sua atuação (bem como o comportamento de sua personagem) é explosivo mesmo em sua contenção. Fiquei muito impressionado com o modo como ela age em cena, o que é reforçado pela inteligência dos realizadores, que evocam a trilogia 'camp' do Paul Morrissey, no modo como sujeira e sublimidade convergem, em âmbito emcoional. Infelizmente, a interpretação de Raianny Ferreira vai num pólo oposto, sendo o elemento mais tímido, ponderado, excessivamente vigiado e/ou convencionalmente reprimido do filme. Não é uma participação ruim, mas erigida num tom distinto do que é trabalhado pelos demais partícipes da equipe: com exceção dela, em sua cautela técnica, é só tesão... Que direção de arte incrível! Que senso primoroso de referências pictóricas na introdução dos 'flashbacks', que baque emocional no coongelamento imagético do desfecho... Adorei, adorei, a-do-rei! Saí da sessão bastante entusiasmado, ainda que, mais uma vez, eu tenha visto o curta-metragem numa cópia ainda carente de ajustes na montagem de som, principalmente: gostei muitíssimo do que o filme me causou, atiçou, despertou e estimulou. A equipe não priorizou "notas boas" (não obstante merecê-las), mas sim o fervor expressivo, o acerto de contas com os passados por detrás de todos os embates relacionais. Parabéns de pé aos envolvidos! (WPC>)