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A figura central da trama é o Açogueiro, saído do curta-metragem "Carne", também do diretor Gaspar Noé. Essa criatura violenta, petrificada, fica vagando por labirintos obsessivos repletos de recalques, ódio contra estrangeiros e homossexuais, com a sempre onipresente figura da filha que ele deseja de maneira doentia.
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iniciando minha maratona do gaspar noé
É primordialmente um filme politico, quero dizer, tem questoes éticas, morais, mas envolve principalmente ideologias politicas (nao fica muito claro quais, pois apesar de criticar os ricos, portanto, uma ciritca direcionada à direita, ele critica também o entao atual governo que nos anos 80 era do François Mitterrand, de esquerda). Ele critica o governo, o sistema, os nazi, os americanos, o comunismo, os gordos, os velhos, o diabo a quatro. Ta revoltado por ser um fudido e decide culpar o mundo e se rebelar (mas somente ja quase no fim do filme). Alias, esse filme pode ser gatilho (acho q literalmente, rs) pra quem ja praticamente desistiu do mundo , nao é nem da vida no contexto literal, mas da vida no aspecto critico. Um filme doido kkkkkkkkk Esse diretor adora chocar. Ele finge que quer dar luz à um problema, mas ele gosta mesmo é de chocar, brutalizar, desumanizar, muito embora nesse filme nao vi nada de muito estarrecedor. Ao contrario, eu quase me caguei de rir na cena bem no comecinho do filme onde a velha vai no quarto da filha dar boa noite e
na cabeça dela ela vê a pirokona do cara e também na cena quando ela brigando e diz "eu vou pegar a pistola", tipo a Rochele dizendo q vai pegar o xarope
Uma extensão de "Carne" (1991) - curta-metragem pressuposto deste longa - acho que Gaspar Noé (se não me engano) é um enunciado da "New French Extremity" e não seria muito justo começar a falar de "Sozinho Contra Todos" (1998) via uma apresentação do diretor. Mas, a propor uma experiência estética - a qual está bem reafirmada pelo movimento que inerentemente conduz as obras do diretor - Sozinho Contra Todos é um devaneio moral traumático e de proposta apercebida pela externo e interno vivido por Butcher (Phillipe Nahon) - destaque para a ausência de aprofundamento no núcleo de personagem cuja significação nasce da perspectiva desiludida do personagem central - e não é por menos; a narrativa delineia bem a relação mundo e homem pós uma experiência que o iguala diante de um contexto que outrora fora subjugado por ele; não é uma verdade absoluta, longe disso, acho até que a intensão é ojerizar e inspirar um clamor pelo inferno que recaí sobre o personagem de Phillipe Nahon.
Vou abrir uma parênteses só para comentar como o diretor utiliza de recursos sonoros para dar ênfase nos diálogos ou cortes; é muito curioso você ouvir uma única nota em tom de tensão a complementar a face de desdenho do personagem ou uma ação simples como tomar um café, penso até que isso funciona como uma espécie de prontidão prometida para o que é banal.
Citei acima sobre "experiência estética" e eu sou muito bem convencido que essa é a principal função do cinema de Gaspar Noé, a violência estetizada aqui é precisamente diluída no conflito moral de Butcher e intrigantemente manifesta-se via da misantropia não desenvolvida durante a narrativa, mas cultivada - o nojo pelo o mundo vem desde "Carne" e penso que há uma demanda narcisista que promove um tratado entre mundo e personagem, a própria narrativa rompe com essa retórica: externo e interno, quando via de outras perspectivas (que não são aprofundadas, mas serve para reforçar a perspectiva deturpada de Butcher) descreve as dificuldades enfrentadas naquele contexto (crise, desemprego etc) e Sozinho Contra Todos pode até reforçar um paralelo com "Ódio" (1995) de Mathieu Kassovitz que também empresta da França à época a validação de seu argumento.
Além da violência (o que é óbvio falar, afinal exerce função estética) - há um reforço das rupturas traumáticas somadas à desilusão política e um ódio culminado por um espectro ególatra.
E que rupturas são essas?
- Penso serem o ser ou não ser do homem diante da realidade - é por isso que há uma contemplação dessa estética de violência; busquemos razão na violência que não queremos viver (Hal Foster exemplifica bem isso no capítulo de título "realismo traumático" no livro Retorno do Real).
Sozinho contra todos,
Sozinho contra si.
Só podia ser coisa desse diretor maluco e pervertido, mas que eu gosto. Fazer o que, né? Gaspar Noé é visceral!
Que filme doentio