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Acho que o maior problema deste filme é tentar ser um Terrifier. Não, não é questão do gore, afinal isso já é uma assinatura de Eli Roth, mas o tom de aventura — ditado pelo núcleo de personagens jovens — aproxima-se muito de Terrifier 2, o que não dá para entender muito bem, afinal, assim como a sua possível inspiração, o filme é rápido e não está tão interessado em explicar o universo do sorveteiro. Possivelmente, a ideia central seria fazer uma franquia, mas como o filme acabou bombando, ficaremos com o Terrifier wanna be com o seu próprio vilão mudo expressivo.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
Comecei a assistir Shameless por conta de um corte que vi na internet e, bem, acabei terminando a série. Ao longo de 11 temporadas, temos em foco a família Gallagher — modelada para ser um arquétipo do malandro norte-americano. Acredito que, se você chegou até aqui, a décima primeira temporada, a família em si é a coisa menos relevante enquanto mero drama doméstico, afinal ela é a força que engrena os conflitos de fundo. Precisamos ressaltar que a série — que nasce com a proposta de localizar a homônima série britânica (não assisti à série original, mas, pelo que li por aí, elas assumem o próprio caminho a partir da segunda temporada, tornando-se independentes) — tensiona um contexto social e geográfico que às vezes nos é apresentado de forma plástica pela cultura estadunidense. Shameless é sobre uma família, descendente de imigrantes irlandeses, estabelecida na região sul de Chicago (um dos principais polos industriais dos Estados Unidos), delimitando a zona sul como palco dos conflitos sociais que articulam as narrativas. A diversidade econômica e cultural da região é excelente para desenvolver a trama, que tem como alicerce uma urgência, dentro de um viés economicista, de sobrevivência. Analisando resumidamente, todos os problemas da família Gallagher giram em torno de questões financeiras, o que acaba guiando-os para espirais viciosas (o sexo, as bebidas, as drogas e os crimes, que em tese são a válvula de escape, tornam-se características que moldam a identidade deles). No resumo, com altos e baixos, Shameless é um retrato dos distritos pobres — operários —, uma metonímia dos altos e baixos econômicos, sufocado pelos vícios como se reconstituísse de forma autêntica e pós-moderna os espaços sociais retratados em A Selva (1905), de Upton Sinclair. A gentrificação, a decadência pós-Covid, a especulação imobiliária, o deslocamento cultural identitário e a saúde como um fetiche econômico: tudo isso amarra uma densa narrativa que se inicia a partir de Frank Gallagher — alcoólatra, viciado, irresponsável, golpista, preguiçoso e um dos piores pais da história do audiovisual — com o seu monólogo que introduz o espectador à degradação do estilo de vida americano, e encerra-se com o mesmo Frank Gallagher, com o mesmo monólogo, agora retificado, despedindo-se do espectador com a antítese do machadianismo:
“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.” (1881).