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Meados do século XIX. Um grupo de sobreviventes do naufrágio de um navio negreiro, brancos e negros, dão a uma ilha deserta. A luta pela sobrevivência e pelo poder vai inverter os valores morais e sociais da época. Isolados, será possível encontrar uma forma de viver em harmonia?
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Um conto afiado sobre uma das questões históricas mais indigesta que envolve Brasil, Portugal e países da África, a escravidão, apesar do filme parecer uma aventura, na verdade é um drama histórico ácido e provocador, obra ficcional a partir de uma tragédia real. Interessantíssimo, uma coprodução Portugal-Brasil que merece ser apreciada.
José Barahona (1969-2024) foi um diretor e roteirista português, falecido recentemente no auge da carreira, em novembro do ano passado, após longa doença. Da área técnica de som partiu para a direção; dirigiu curtas no fim dos anos 90, dedicando a carreira ao documentário político/historiográfico, e mesmo doente, conseguiu finalizar seu último trabalho, o filme ficcional de drama coprodução Brasil e Portugal ‘Sobreviventes’ (2024), que acaba de ser lançado nos cinemas. Trazendo atores de lá, como Miguel Damião, e daqui, como Roberto Bomtempo, é uma história conflituosa que se passa no século XIX - um grupo sobrevive ao naufrágio de um navio negreiro e fica à mercê numa ilhota, na espera de resgate. Só que a tensão entre brancos e negros aumenta quando ficam sem comida, em meio a uma ilha inóspita, sem vegetação e pessoas. A discussão central é a tensão racial, uma metáfora do colonialismo e escravidão africana, feita em tom épico, com diálogos que lembram poesia, e encenado numa esplêndida fotografia em preto-e-branco. O roteiro é assinado pelo premiado escritor angolano José Eduardo Agualusa, a partir de uma ideia original de Barahona, que corroteiriza. A trilha sonora é do brasileiro Philippe Seabra, fundador da banda Plebe Rude, e em uma das faixas Milton Nascimento empresta sua voz. Exibido em festivais como IndieLisboa, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e Festival de Cinema Brasileiro de Paris, chega aos cinemas pela Pandora Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb