Soni, uma jovem policial em Nova Delhi, e sua superintendente, Kalpana, enfrentam uma crescente crise de crimes violentos contra as mulheres. No entanto, a aliança entre elas sofre um grande revés quando Soni é transferida por suposta má conduta.
Nem pensem nos estapafúrdios musicais bollywoodianos, isto é cinema dramático independente indiano de qualidade.
Um retrato bastante cru, duro, seco e realista do machismo e sexismo, criminosos e frustrantes, que imperam na Índia, ou pelo menos em sua capital. Tudo plasmado desde a perspectiva de duas fortes personagens femininas, policiais, interpretadas lindamente por Geetika Vidya Ohlyan e Saloni Batra (fui buscar e guardarei esses nomes com carinho).
O filme também contempla de passada a questão dos privilégios de autoridades políticas e policiais, corrupções, subornos, propinas e outras questões sociais que não se limitam às fronteira indianas. Talvez justamente por isso, por soar desgraçadamente tão familiar, eu tenha gostado tanto de “Soni”. É Nueva Delhi, mas salvando as diferenças (*) poderia perfeitamente tratar-se de qualquer capital de qualquer país da América Latina, por exemplo.
Recheado de situações tão chocantes quanto cotidianas parecem ser, o longa mostra a realidade do que parece ser a classe média e urbana indiana. Faz pensar como se dará este mesmo contexto nas classes menos favorecidas do país.
Ivan Ayr também merece ser guardado com carinho. A sensibilidade, tato e sutileza que demonstrou ter nesse assunto são pouco comuns em diretores do sexo masculino. Toda violência, que não é pouca, é absolutamente implícita (como a não-cena do banheiro do salão de chá).
(*) a bem da verdade, na Índia os estupro coletivos, assassinatos por conta de dotes, agressões com ácido e incluso escravidão sexual são notícia com incomparável frequência. Não a toa é considerado o 4º país mais perigoso de todo o mundo para mulheres. Outra de suas contradições... a nação que continua subjugando sistematicamente as mulheres em nome de uma “cultura” patriarcal é a mesma que não teve nenhuma restrição a ser governada por anos por Indira Gandhi, uma mulher.
Nota: se gostou de “Soni”, assista a outra delicadeza hindi, “Margarita com Canudinho”.
O machismo enraizado na sociedade não é só no Brasil, é mundial. O filme é mediano.
Aqui assistimos mais um exemplo da nobreza do tema se sobrepondo à qualidade do filme.
A narrativa é lenta e o desfecho previsível . Mas o filme tem o seu valor.
#Sororidade
Nem pensem nos estapafúrdios musicais bollywoodianos, isto é cinema dramático independente indiano de qualidade.
Um retrato bastante cru, duro, seco e realista do machismo e sexismo, criminosos e frustrantes, que imperam na Índia, ou pelo menos em sua capital. Tudo plasmado desde a perspectiva de duas fortes personagens femininas, policiais, interpretadas lindamente por Geetika Vidya Ohlyan e Saloni Batra (fui buscar e guardarei esses nomes com carinho).
O filme também contempla de passada a questão dos privilégios de autoridades políticas e policiais, corrupções, subornos, propinas e outras questões sociais que não se limitam às fronteira indianas. Talvez justamente por isso, por soar desgraçadamente tão familiar, eu tenha gostado tanto de “Soni”. É Nueva Delhi, mas salvando as diferenças (*) poderia perfeitamente tratar-se de qualquer capital de qualquer país da América Latina, por exemplo.
Recheado de situações tão chocantes quanto cotidianas parecem ser, o longa mostra a realidade do que parece ser a classe média e urbana indiana. Faz pensar como se dará este mesmo contexto nas classes menos favorecidas do país.
Ivan Ayr também merece ser guardado com carinho. A sensibilidade, tato e sutileza que demonstrou ter nesse assunto são pouco comuns em diretores do sexo masculino. Toda violência, que não é pouca, é absolutamente implícita (como a não-cena do banheiro do salão de chá).
(*) a bem da verdade, na Índia os estupro coletivos, assassinatos por conta de dotes, agressões com ácido e incluso escravidão sexual são notícia com incomparável frequência. Não a toa é considerado o 4º país mais perigoso de todo o mundo para mulheres.
Outra de suas contradições... a nação que continua subjugando sistematicamente as mulheres em nome de uma “cultura” patriarcal é a mesma que não teve nenhuma restrição a ser governada por anos por Indira Gandhi, uma mulher.
Nota: se gostou de “Soni”, assista a outra delicadeza hindi, “Margarita com Canudinho”.
Uma preciosidade.