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Sun Ra -- profeta do era-espacial, filósofo xamã e tecladista/líder de um grupo de avant-jazz -- pousa sua nave espacial em Oakland, depois de ter passado um tempo perdido no espaço. Com o Poder Negro (Black Power) crescendo, Ra desembarca e se auto-proclama "o contra-destino"
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Feito em 1972, lançado em 1974, Space Is the Place apresenta uma agenda alternativa para os negros americanos, sugerindo um futuro imaginativo de possibilidades de ficção científica, sem as restrições da rotina diária da agitação das ruas.
O filme começa com uma nave espacial movendo-se lentamente pelo cosmos, enquanto a trilha sonora entoa repetidamente: "É depois do fim do mundo. Você ainda não sabe disso?" Vemos então o viajante no tempo Sun Ra vagando por uma densa floresta psicodélica de flora e fauna bizarras em um planeta novo e distante que, ele decide, é o lugar perfeito para a realocação da América negra. Vestido como um faraó de papel alumínio, como era seu costume, Rá é uma figura boba e benigna, o que é útil porque a mensagem do filme é que os negros não fizeram nenhum favor a si mesmos ao abraçar e fetichizar o gueto. Rejeite o estereótipo do cafetão, liberte sua mente, alcance as estrelas, ele as oferece como um prospecto alternativo.
Dentro de Space is the Place, os negros são vítimas não apenas de estruturas de poder racistas brancas (consubstanciadas em dois agentes governamentais e no seu emprego de vigilância, coerção e violência), mas também da exploração negro-contra-negro, incorporada em uma espécie de super cafetão cósmico que dirige pelas ruas de Oakland em um Cadillac vermelho brilhante, fornecendo drogas, prostitutas e, o mais importante, falsa consciência.
O filme se baseia teoricamente a partir da série de palestras de Ra em Berkeley (Califórnia) intitulada The Black Man in the Cosmos. Com a ficção científica e os brancos companheiros inevitáveis na época, as palestras de Ra sobre o lugar dos negros na modernidade pareciam missivas de uma realidade alternativa (na verdade, o futuro, descobriu-se).
Uma fusão confusa e quase psicodélica de música, dança, vida nas ruas, ficção científica e história, Space Is the Place é muito parecido com o próprio Sun Ra, completamente único. Embora a libertação só possa advir da ruptura do tempo e da história brancos, é a música que funcionará como o principal meio através do qual a consciência será elevada. No entanto, este futuro utópico nunca será realizado na Terra. É do espaço onde Sun Ra chegou e é para o espaço que ele retornará trazendo aqueles que resgatou e que agora irão colonizar.
lindo
doido demais pensar o jazz como uma língua, de se afirmar através desse aspecto (a própria escolha do jazz pra isso já é foda)
a língua é um aspecto muito forte na definição identitária, e usar música pra expressar isso é uma parada que tá no filme todo: uma ideia muito positiva de futuro
essa é a parada do afrofuturismo, é uma ficção científica essencialmente pós-colonial - o que só agora, em 2020, ta começando a ganhar protagonismo
3 anos antes de lançar Star Wars
300 anos a frente
se fosse lançado hoje, ainda estaria anos à frente
nada de legenda ainda, gente?