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Duração
Com o mínimo de contato com o mundo exterior, um velho homem trabalha como sinaleiro em um cruzamento ferroviário e mora com sua esposa em um remoto lugar no Irã. Sua esposa faz tapetes, seu filho há tempos entrou no Exército e ali quase nada acontece. Um dia, chega-lhe a carta de aposentadoria. Mas tudo o que ele quer é ficar ali, como sinaleiro, no cruzamento ferroviário.
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É doido, viu...
A cena final onde por conta da aposentadoria, ele é obrigado a deixar a casa onde criou raízes e a contempla toda vazia, com os móveis já todos no carroça de frete e com sua esposa esperando lá fora, dói o coração. Até que ele tira o último pertence do seu lar, o espelho, que reflete sua feição velha, fazendo com que ele se de conta que sua vida se aproxima do fim.
Alguém sabe onde encontro esse filme?
Raízes do cinema iraniano
Em Still Life (1974), Shahid-Saless mais uma filma a rotina de pessoas comuns; ele retrata a vida de um casal de idosos que mora à beira de um trilho do trem na região norte do Irã. Ela faz tapetes persas e cuida da casa (que é apenas um quarto, como em seu filme anterior) e ele trabalha como sinaleiro em um cruzamento ferroviário. O ritmo do filme é o mesmo do casal, lento, e assim, como em seu filme anterior, A Simple Event (1973), as ações retratadas no filme tem a sua duração real, como por exemplo, as cenas das refeições, o caminhar lento até o cruzamento, a preparação para dormir.
Entretanto, diferente de A Simple Event (1973), onde não há close-ups e ficamos sempre distantes das cenas, em Stil Life (1974), a câmera está mais próxima, vemos os detalhes das ações e das expressões do casal de idosos, somos mergulhados dentro do seu cotidiano, dentro do seu ritmo de vida, como se fossemos convidados a acompanhar e compartilhar dos seus afazeres. Dessa maneira, temos a sensação de sermos observadores que estão dentro da casa, como se fossemos uma das paredes daquele casebre, como se fossemos parte daquele quarto e por isso criamos grande identificação com aquele casal e também participamos de suas lentas refeições, também nos preocupamos com a magreza de seu filho que está no exército e nos revoltamos com a burocracia intolerante que leva à aposentadoria daquele senhor, ainda que essas todas cenas sejam cruas, frias, calmas, lentas e contemplativas, como todo o cinema iraniano que arrebataria fãs do mundo todo nos anos 1990 e 2000.
Filme que inspirou e muito os realizadores do período pós-revolucionário, como Abbas Kiarostami, Mohsen Makhmalbaf, Dariush Mehrjui, entre outros.